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A última sexta-feira (05) foi positiva para o mercado de açúcar nas bolsas internacionais. Em Londres, o açúcar branco bateu o maior nível de preços em quase 4 anos, com o mercado apoiado na expiração dos contratos no vencimento março/21.

A tonelada do açúcar branco no vencimento março/21 foi comercializada na sexta-feira em US$ 474,80, alta de 9,40 dólares, que correspondem a 2% de valorização no comparativo com a véspera. Durante a sessão, a commodity chegou a bater os 477,70 dólares a tonelada, maior nível para o primeiro mês desde abril de 2017, disseram analistas de mercado.

Operadores ouvidos pela Reuters destacaram que parece haver um interesse significativo no recebimento do açúcar quando o contrato março expirar, na próxima sexta-feira. “O interesse no recebimento de entregas tem sido impulsionado pelo aperto no mercado físico diante da escassez de contêineres em países como a Índia, que deixou o mercado mais dependente das ofertas da bolsa, nas quais o contrato está baseado”.

Em Nova York o mercado também fechou valorizado na última sexta-feira. O contrato para março/21 registrou ganho de 2,5% comparado com a quinta-feira, negociado a 16,42 centavos de dólar por libra-peso.

“Houve rumores no mercado sobre potenciais gargalos para os embarques da nova safra do Brasil, já que a colheita de uma safra recorde de soja no país atrasou, fazendo com que os portos encarem uma enorme programação de navios a partir de março”, destacou a Reuters em matéria sobre o fechamento das bolsas.

Análise

Em análise semanal sobre o comportamento do mercado mundial de açúcar, o economista e diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa destacou que “o desempenho do açúcar no acumulado do ano é animador. Teve uma variação positiva de 6% em relação ao final de 2020 e – é bom que se frise — com uma pequena ajuda dos robôs e algoritmos que impulsionam as cotações muito além do que os fundamentos possam legitimar”.

“A curva descendente de preços do açúcar em NY para os vencimentos em negociação aponta um declínio próximo de 10% ao ano. Tome por base o vencimento março/21 cotado a 16.46 centavos de dólar por libra-peso e o vencimento julho/23 cotado a 13.02 centavos de dólar por libra-peso. O que isso quer dizer?”, perguntou Corrêa.

“Primeiramente que os detentores de açúcar físico (produtores, tradings) devem se desfazer imediatamente de seus estoques haja vista que eles se desvalorizam com o tempo. Em segundo lugar, refinarias e consumidores industriais devem retardar ao máximo a compra de matéria-prima, pois quanto mais tarde comprarem, mais barato será o produto. O mercado não estimula, portanto, a manutenção de estoques”, explicou o diretor da Archer.

“Ao nosso ver, os fundamentos já estão refletidos demasiadamente nos preços. As usinas já fixaram quase no limite da cana própria. Algumas deixam apenas a cana de terceiros sem fixar acreditando na falácia do hedge natural, mas isso é assunto para outra hora”, disse Arnaldo Luiz Corrêa.

O açúcar no Brasil 

No mercado interno o açúcar cristal fechou em baixa pelo quarto dia seguido no Indicador Cepea/Esalq, da USP, com a saca de 50 quilos negociada em R$ 106,96, contra R$ 107,58 da véspera, redução de 0,58% no comparativo entre as datas.

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