ANP: etanol combustível não deve ser usado na limpeza

Após denúncias sobre uso de etanol combustível para higienização e até para a fabricação de álcool em gel, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) decidiu publicar um alerta sobre os riscos à saúde provocados pelo produto destinado a veículos como desinfetante durante a pandemia do novo coronavírus.

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A agência diz que o produto é altamente inflamável, e pode ser contaminado com elementos tóxicos, como metanol, gasolina ou diesel, durante o transporte aos postos.
“O metanol, por exemplo, se for levado ao olho, pode até cegar”, afirma o superintendente de fiscalização da agência, Carlos Orlando Enrique da Silva.
Ele conta que, desde o início da pandemia, o Centro de Relações com o Consumidor da ANP tem recebido questionamentos sobre a possibilidade do uso do etanol combustível como desinfetante, em substituição ao álcool em gel, que chegou a sumir das prateleiras nas primeiras semanas de isolamento social.
Depois, a agência recebeu denúncias de que postos estavam usando o produto para borrifar nas mãos de empregados e de clientes.
Um terceiro alerta veio da Polícia Técnico-Científica de Goiás, que suspeita que o combustível foi usado para a produção irregular de álcool em gel no estado.
Em abril, a polícia goiana apreendeu 38 mil litros de álcool em gel de fabricação clandestina. Em apenas uma fábrica, onde foram encontradas 8.000 litros, os policiais encontraram também notas fiscais de aquisição de etanol combustível.
“Existem fortes indícios de que os investigados estavam adicionando etanol na produção, de forma a aumentar o volume”, disse o governo do estado.
“As pessoas que foram contratadas para o serviço não utilizavam EPI [equipamento de proteção individual] e não seguiam normas sanitárias para manejo do produto.”
Silva ressalta que as especificações do etanol combustível têm como objetivo o uso apenas em veículos automotores e que os produtos para desinfecção devem ser aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), de acordo com níveis específicos de exigência de acordo com sua utilização.
Ele lembra que o álcool em gel usado para combater o coronavírus tem 70% de teor alcoólico, enquanto o etanol hidratado vendido nos postos tem teor de 92,5%. Já no caso do etanol anidro, que é misturado à gasolina, o produto chega a ter 99,3% de pureza. “O risco de incêndio é muito alto”, afirma.
Além disso, há o risco de contaminação por produtos tóxicos no transporte do material em tanques dos caminhões, além da presença de outros álcoois ou de sais orgânicos à base de enxofre, ferro, sódio e potássio, que são prejudiciais à saúde caso sejam ingeridos ou tenham contato com a pele.

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