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Apesar da quebra, BP Bunge estima resultados positivos na safra

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A seca prolongada e as geadas de julho deverão afetar a produtividade dos canaviais da BP Bunge Bioenergia na safra atual (2021/22), mas os executivos da companhia acreditam que o problema não vai impedir um novo ciclo de melhora dos resultados operacionais nesta segunda temporada de operações integradas desde a fusão entre as sócias.

Em 2020/21, a joint venture entre a britânica BP e a americana Bunge registrou lucro líquido de R$ 395,8 milhões e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 3,4 bilhões. Com uma receita líquida de R$ 6,1 bilhões, a margem Ebitda alcançou 56%, 14 pontos a mais do que o resultado combinado da BP e da Bunge no ano anterior, quando a joint venture estava se formando.

Para esta safra, a companhia calcula, até o momento, que processará 10% menos cana em suas 11 usinas em decorrência dos efeitos da seca, disse o CEO Geovane Consul ao Valor. O grupo moeu 27,3 milhões de toneladas em 2020/21 e quer preencher sua capacidade instalada de 32 milhões de toneladas em três anos.

A quebra é um pouco menor do que a companhia estima para conjunto do CentroSul, onde a redução deverá ficar em 65 milhões de toneladas – ou 10,8% ante a safra passada, considerando-se apenas os efeitos da seca, sem contabilizar as geadas, indicou o executivo.

Para evitar perdas imediatas maiores, a companhia antecipou a colheita das áreas mais afetadas por geadas e vai antecipar o encerramento da moagem. Apesar das perdas já esperadas, Consul disse que o mais importante é a quantidade de açúcar produzido por hectare, que está “mantendo a performance” prevista, disse.

A boa notícia, disse, é que os preços de açúcar e etanol oferecem uma remuneração favorável. “Temos convicção que vai ter um resultado ainda melhor”, sustentou. O grupo já tem praticamente todo o açúcar a ser exportado nesta safra com preços fixados, e os compromissos não foram alterados com a quebra de safra. Se a expectativa de um crescimento do Ebitda se confirmar, a alavancagem da companhia, que fechou a última safra em 0,9 vez, cairá ainda mais.

No mercado de etanol, a empresa vem operando com os futuros na B3, onde está obtendo preços “bem remuneradores”, afirmou Consul. “Com a abertura da economia, e já estamos vendo o consumo voltando, esses preços se sustentam.”

Para a próxima safra, a companhia já fixou 50% do açúcar, e só interrompeu as operações de hedge depois que o câmbio perdeu o patamar dos R$ 5,50 e voltou a R$ 5,15.

Para não se desviar da meta de médio prazo de elevar a oferta de cana, a companhia plantará nesta safra 75 mil hectares de cana, incluindo áreas de renovação e expansão – acima dos 70 mil hectares plantados na safra passada. Para isso, o capex recorrente deve se manter em R$ 2,1 bilhões, dos quais R$ 1,3 bilhão irão para os canaviais.

“Vamos seguir a agenda de maximizar o uso de capacidade e encher as plantas o mais rápido possível. Temos acesso a capital e saúde financeira que permite isso”, comentou Lindenhayn, presidente executivo e do conselho.

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