Bioestimulante: +TCH + ATR +TAH

Estudo realizado por pesquisador da Unesp com o bioestimulante Celleron mostra que a tecnologia, quando associada ou não a inibidores de florescimento e outros complexos nutricionais, pode trazer não só ganhos em TCH, como também em ATR e TAH

Natália Cherubin

A produtividade média da cana-de-açúcar das unidades do Centro-Sul do país atingiu 74 t/ha na safra 2018/19, valor 1,7% inferior ao da safra anterior. Apesar da expectativa de haver uma ligeira melhora de TCH para a safra 2019/20, a produtividade média do setor tem sido baixa frente ao real potencial produtivo da cana, que pode atingir mais de 150 t/ha em áreas comerciais.

Envelhecimento dos canaviais, baixa taxa de renovação, falta de capacidade de investimento em algumas regiões, expansão da colheita mecanizada e a ocorrência de longos períodos de estiagem são os fatores que explicam os baixos índices de produtividade de grande parte dos canaviais.

Justamente para reverter este número, a otimização do manejo da cana-de-açúcar é extremamente necessária para o incremento de TCH e qualidade de matéria-prima. Muitos trabalhos científicos vêm sendo realizados e uma das áreas de pesquisa que mais vem ganhando destaque ao longo dos últimos anos e contribuindo para os ganhos de produtividade é a adubação foliar, que tem impacto direto não só no desenvolvimento da planta, em sua fase de crescimento vegetativo, como também na fase final de maturação.

De acordo com o professor Carlos Alexandre Costa Crusciol, pesquisador e docente da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Botucatu, em condições adequadas de temperatura, umidade, radiação solar e fotoperíodo, a cana-de-açúcar apresenta uma fase fenológica de maior desenvolvimento, onde todos os produtos resultantes do processo fotossintético são utilizados diretamente para o crescimento da planta.

Quando as condições climáticas se tornam adversas ao seu desenvolvimento vegetativo, a fase de maturação é iniciada e há uma redução de seu crescimento, quando a sacarose passa a ser acumulada nos colmos.

Sendo assim, os nutrientes são de extrema importância para o crescimento da planta, pois desempenham papéis relevantes no metabolismo, seja com função estrutural de algum composto orgânico, como constituinte de enzimas ou também como ativador enzimático.

Além disso, os nutrientes estão diretamente relacionados a maturação da cana, pois são responsáveis pela síntese de sacarose, atuando diretamente na atividade de enzimas referentes ao processo.

“Nesta fase de maturação os nutrientes, associados a outros fatores como temperatura, estresse hídrico e idade da planta, afetam a síntese e acúmulo de sacarose. Com isso, a adubação foliar associada a fase de maturação da cana-de-açúcar, pode proporcionar ganhos de produção significativos e qualidade de matéria-prima, pois melhora as condições da planta no processo fotossintético e eleva a atividade enzimática relacionada à síntese de sacarose”, explica Crusciol.

ESTUDO DE EFICIÊNCIA

No início deste ano, em uma pesquisa inédita, desenvolvida pelo pesquisador Crusciol, avaliou-se a eficiência do bioestimulante Celleron no incremento do TCH e ATR em áreas cultivadas com cana-de-açúcar.

O estudo mostrou os resultados da sua associação ou não com complexos nutricionais ou inibidores de florescimento por meio de aplicações foliares.
O experimento foi instalado na Fazenda Quebra Pote, em uma área comercial cedida pela Raízen, unidade Barra, localizada no município de Igaraçu do Tietê, SP.

No estudo, a variedade comercial usada foi a CTC 6 – de ciclo tardio, alta produtividade, ótimo perfilhamento e brotação, e sem florescimento – com plantio realizado em outubro de 2017 e escolha definida de acordo com a época de colheita dentro do manejo da Usina da Barra.

O experimento foi realizado em blocos casualizados com 14 tratamentos e quatro repetições, perfazendo 56 parcelas, que foram constituídas de 10 linhas de 10 metros de comprimento com espaçamento de 0,90 X 1,50. Conforme explica Crusciol em pesquisa, a aplicação do produto associado aos outros tratamentos, realizada com equipamento costal pressurizado com CO2, que permitiu uma aplicação simultânea e homogênea em quatro fileiras de plantas, foi feita no mês de fevereiro (Tabela 1).

Estudo mostra que a tecnologia, associada ou não a inibidores de florescimento pode trazer não só ganhos em TCH, como também em ATR e TAH
Duas avaliações foram realizadas entre fevereiro e setembro, nas quais foram analisados dois parâmetros: biométrico e tecnológico. Para a determinação de produtividade em toneladas de cana/ha, foi aferido o comprimento, diâmetro e número de colmos por metro linear.

Já para avaliar a qualidade da matéria-prima, como Pol cana, Pureza do caldo, Fibra cana, Açúcares Redutores e Açúcares Teóricos Redutores, as amostras foram analisadas seguindo a metodologia proposta por Fernandes (2003).

“Cada amostra era constituída de 10 colmos, os mesmos utilizados para avaliações de biometria, sendo submetidos ao desponte no ponto de quebra do ponteiro ou na altura da gema apical e encaminhada para laboratório tecnológico da usina. As determinações tecnológicas foram determinadas conforme o Sistema de Pagamento de Cana por Teor de Sacarose (SPCTS) e atualizações semestrais do Consecana”, afirma Crusciol.

MAIS TCH E ATR

O estudo, ao analisar os dados das variáveis biométricas, observou que o fator Comprimento de Colmos apresentou uma diferença significativa entre os tratamentos, mostrando a influência do bioestimulante nos resultados.

De acordo com o pesquisador, os valores foram maiores em todos os tratamentos onde foram aplicados o produto Celleron, com destaque para o tratamento C, que foi o Fertilon 17+ Celleron 3.

O mesmo padrão de desenvolvimento, segundo Crusciol, é observado nas variáveis Diâmetro de Colmos e TCH, onde os tratamentos que receberam o bioestimulante apresentaram melhores resultados (Tabela 2).

Estudo mostra que a tecnologia, associada ou não a inibidores de florescimento pode trazer não só ganhos em TCH, como também em ATR e TAH
“Na variável Diâmetro de Colmos, destaca-se o tratamento F (Ethrel 0,66 + Celleron 3), justificado pela associação com o inibidor de florescimento, que promove a redução do crescimento vegetativo da planta e maior acúmulo de sacarose nos vacúolos das células parenquimáticas, apresentando diâmetro maior de colmos”, explica.

Avaliando o TCH, o tratamento Fertilon 17 + Celleron 3 destaca-se mais uma vez, de acordo com Crusciol, com uma produtividade de 118 t/ha, representando um ganho de 16 t em comparação ao tratamento controle, seguidos pelos tratamentos F (Ethrel 0,66 + Celleron 3) e N (N32 3 + Celleron 3), que apresentaram ganho de 14 t sobre o tratamento Controle. “Fica claro o efeito nutricional, com resultados superiores nas variáveis biométricas em comparação aos tratamentos onde não foi aplicado, devido ao estímulo do crescimento. ”

Segundo pesquisadores, cita Crusciol, há uma inter-relação direta entre os nutrientes aplicados nas folhas e a absorção radicular, justificando esses ganhos de produção. Mesmo a adubação foliar em final de ciclo, proporciona resultados interessantes quanto ao incremento de produtividade e qualidade.

“A alta concentração de N (nitrogênio) e, principalmente, de P (fósforo) no Celleron contribui também para justificar os incrementos nas variáveis de produção, pois promove um crescimento e manutenção da parte aérea da planta, com elevada taxa fotossintética e crescimento do sistema radicular, contribuindo para maior absorção de água e nutrientes. A presença em quantidade de fósforo permite fornecer energia em forma de ATP para os principais processos metabólicos da planta, além de atuar como ativador de enzimas como, por exemplo a fosfofrutoquinase”, observa o pesquisador.

Com relação aos dados das análises tecnológicas, também houve diferença significativa entre os tratamentos, comprovando a influência do produto sobre os mesmos. Observou-se um mesmo padrão para as variáveis Fibra e Ar, onde o tratamento L (NMol 40 + Celleron 3) apresentou os melhores resultados (Tabela 3).

Estudo mostra que a tecnologia, associada ou não a inibidores de florescimento pode trazer não só ganhos em TCH, como também em ATR e TAH
Sobre as variáveis Pol e ATR, de acordo com o estudo, o melhor tratamento foi o N (N32 3 +Celleron 3), que apresentou ganho de 9 kg de ATR em comparação ao tratamento Controle. Analisando o TAH (toneladas de açúcar por ha), os melhores resultados foram do tratamento C (Fertilon 17 + Celleron 3) e N (N32 3 + Celleron 3), com ganhos de 2,58 a 2,71 t de açúcar/ha, respectivamente, sobre o tratamento Controle.

“Seguindo a linha de resultados das análises biométricas, os resultados das análises tecnológicas foram melhores para os tratamentos onde foi realizada a aplicação do produto Celleron, isso justifica-se pela ação dos nutrientes, melhorando a estrutura fotossintética da planta, permitindo maior síntese de sacarose através da atuação direta de alguns nutrientes e também da ativação de enzimas diretamente relacionadas no processo de maturação”, observa Crusciol em estudo.

A pesquisa mostra ainda que fica evidente a aplicação foliar do Celleron proporcionou ganhos de produtividade, qualidade tecnológica (ATR) e, consequentemente, mais TAH.

“Para as variáveis biométricas de comprimento e diâmetro, os maiores valores foram dos tratamentos C (Fertilon 17 + Celleron 3), com 199,4 cm e F (Ethrel 0,66 + Celleron 3) com 32,5 cm, respectivamente. Quanto as análises tecnológicas, o tratamento N (N32 3 +Celleron 3), destacou-se para as variáveis Pol e ATR com valores de 12,8 e 127,1 Kg por t, respectivamente. O tratamento L (Nmol 40 + Celleron 3) apresentou os maiores valores para Fibra e Ar. Para a variável pureza, o maior resultado observado foi do tratamento I (Uran 40), com o valor de 87,47%”, adiciona o pesquisador da Unesp Botucatu.

Estudo mostra que a tecnologia, associada ou não a inibidores de florescimento pode trazer não só ganhos em TCH, como também em ATR e TAH
Estudo mostra que a tecnologia, associada ou não a inibidores de florescimento pode trazer não só ganhos em TCH, como também em ATR e TAH

MAIS NÚMEROS

De 2010 a 2019, aplicações do Celleron foram realizadas em doses de 3 litros por ha via avião em 68 unidades sucroalcooleiras nos estados de São Paulo, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Os levantamentos realizados pela Follyfertil, em testes com mais de 40 variedades diferentes – entre CTC´s, RB´s, IACs e SPs – mostrou que o uso do produto pode trazer ganhos médios de 7,62 a 13,42 t/ha.

Uma das principais fornecedoras de cana da Raízen, a NovAmérica, faz uso da tecnologia há mais de 10 anos. José Francisco Fogaça, gerente de Planejamento e Desenvolvimento Agronômico da Usina NovAmérica, revela que o primeiro teste com o Celleron, que foi no ano de 2006 em um canavial de segundo corte e variedade RB72454, já mostrou bons resultados, com aumento significativo no TCH.

“Continuamos com os testes em áreas maiores nos anos seguintes. Em 2011 passou a ser um tratamento normal em uma parte da nossa lavoura. Todo ano aplicamos em aproximadamente 8 mil ha, tanto em cana planta como em cana soca, e temos resultado de 6 a 8 toneladas a mais por hectare. Começamos nossas aplicações sempre no mês de outubro, mais temos visto resultado positivo também em outras épocas. Sempre aplicamos o produto na dose de 3 litros por hectare e quando temos a necessidade de fazer aplicação de um fisiológico ou fungicida, fazemos juntos, para economizar na aplicação”, afirma Fogaça.

A Vale do Verdão, usina localizada em GO, também faz uso do bioestimulante desde 2016. Renato Rosa Ferreira, gerente de Planejamento e Desenvolvimento na usina, revela que as expansões das áreas com aplicação do produto foram crescentes desde então.

“Em 2016 aplicamos o produto em 7.400 ha, em 2017 expandimos o seu uso para 20 mil ha e, em 2018, foram 40 mil ha aplicados com o Celleron. Tivemos impacto médio na produtividade agrícola de 8 t/ha a mais e um ganho médio de 1 kg de ATR por tonelada de cana. Então, a sua relação custo-benefício é interessante e continua nos motivando nas suas aplicações”, afirma Rosa.

Bioestimulante: +TCH + ATR +TAH

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