Brasileiros desenvolvem alternativa ao gesso a partir do bagaço de cana

Além da cana-de-açúcar, o material também pode ser feito a partir do milho e da beterraba

Pensando em oferecer uma nova alternativa para o setor de saúde ortopédica, dois empreendedores do Rio Grande do Norte, o fisioterapeuta Felipe Neves e o biomédico Hebert Costa, desenvolveram um plástico biodegradável, que leva em sua composição bagaço de cana-de-açúcar, milho e beterraba.

De acordo com a matéria, publicada pelo portal ‘Conexão Planeta’, com os filamentos desse material, o PLA (ácido poliláctico), é possível fabricar órteses personalizadas em impressora 3D. Depois de prontas, por ser “termomoldável”, o bioplástico pode ser ainda ajustado perfeitamente ao paciente: basta o contato com água a 50o graus e ele toma a forma desejada.

O filamento do plástico biodegradável
O filamento do plástico biodegradável

Segundo os criadores da inovação, a solução é melhor porque é arejada, mais higiênica, resistente, à prova d’água e não alergênica, o que garante conforto e liberdade aos pacientes que precisam de algum tipo de tratamento.

O Conexão Planeta conversou com Felipe Neves, um dos sócios da startup Fix it, que produz a novidade.

Brasileiros desenvolvem alternativa ao gesso a partir do bagaço de cana

Por que milho, cana e beterraba?
São matérias-primas produzidas em grandes quantidades mundo afora para a fabricação de combustíveis e açúcar, por exemplo. Então, com seus resíduos, como o bagaço, as empresas se atentaram e começaram a se preocupar em utilizá-lo de uma forma eficiente. Assim ao extrair o bagaço da matéria-prima e fermentá-lo, produz-se o ácido lático e a partir dele, que vem o PLA, ácido polilático.

De onde vem os bagaços para a produção dos produtos da Fix it?
Vem das principais frentes de canaviais aqui no Brasil. Vem dos estados de Pernambuco e São Paulo, que são os maiores produtores de cana-de-açúcar do país.

Existe algum outro ingrediente na composição?
Não, somente o ácido polilático. Inclusive, o corpo humano também produz ácido lático, ou seja, é um produto biológico.

Qual a vantagem ambiental da órtese biodegradável sobre o gesso tradicional?
Nossa órtese não gera nenhum tipo de lixo, que tenha que incinerar, por exemplo. Já o outro gesso precisa ser incinerado, gerando poluição, e se ele for enterrado pode atingir os lençóis freáticos e poluir água de rios.

Brasileiros desenvolvem alternativa ao gesso a partir do bagaço de canaDe que maneira o processo de produção é mais sustentável?
Além da matéria-prima que usamos que é o PLA, também trabalhamos com produção personalizada das soluções, ou seja, não fabricamos órteses de forma genérica e em grandes quantidades. Produzimos as soluções, por meio da impressora 3D, para cada paciente.

Brasileiros desenvolvem alternativa ao gesso a partir do bagaço de cana

Depois de impressas, as órteses podem ser moldadas em água quente

As próteses são biodegradáveis. Mas como será feito o descarte desse material por hospitais e clínicas para que isso seja realmente uma vantagem? Não haverá o risco de as próteses plásticas irem parar no lixo da mesma maneira do que o gesso?
Estamos mapeando todas as composteiras dos estados onde já existem as soluções da Fix it, justamente para a gente fazer o descarte ambientalmente correto. Também estamos estudando a logística reversa para pegar essa matéria-prima, porque a gente consegue triturar e transformar em nova matéria-prima. Justamente para não ir para o lixo. Tem dois caminhos, virar adubo ou em nova matéria-prima.

O custo da prótese da Fix it é mais alto do que um gesso tradicional?
O custo para estabelecimento é mais barato que o gesso. Se estivermos falando em vender para o consumidor final, ela acaba saindo mais cara que o gesso, porém por ser uma solução radiotransparente (que pode ir no raio-x), entre outros processo que o gesso passa, as soluções da Fix it acabam sendo muito mais baratas.