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O etanol hidratado teve evolução de 35% nos últimos 30 dias nas usinas do centro-sul. O litro do combustível subiu para R$ 2,973 em Paulínia (SP), base de armazenamento e de distribuição da região.

Os dados são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), que servem de base para o Indicador Diário da BM&FBovespa.

Um conjunto de fatores dá sustentação aos preços do álcool nas últimas semanas. Um deles são os recentes reajustes de preços da gasolina promovidos pela Petrobras, devido à alta do petróleo no exterior.

Os reajustes de preços do derivado de petróleo tornam o etanol mais atraente para os consumidores. Em muitas regiões do país, a paridade dos preços do etanol, em relação aos da gasolina, estão inferiores a 70%.

Dependendo do modelo do veículo, quando o etanol custa menos do que até 75% do valor da gasolina, é mais vantajoso para o consumidor utilizar o combustível derivado de cana.

Este é um período de entressafra e de menor oferta do combustível. Tradicionalmente, os preços sobem. Neste ano, contudo, há novos ingredientes, e as perspectivas para as próximas semanas não são boas.

O veranico do semestre passado prejudicou o desenvolvimento da cana, e parte das indústrias deve retardar a colheita, que deveria começar oficialmente no início de abril.

Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), diz que a demanda está aquecida. Em fevereiro foram 1,6 bilhão de litros consumidos, bem acima do volume do ano passado, quando o setor já sentia os primeiros reflexos do início da pandemia do coronavírus.

Segundo o diretor, importar etanol não está nas contas das usinas. Além do custo, devido ao câmbio, o produto não chegaria antes do início da safra.

O comportamento atual dos preços pode até fazer com que as usinas revejam a programação de exportação, a fim de deixar esse produto no mercado interno.

Padua diz que o etanol tem ainda duas outras vantagens sobre a gasolina. Parte dos consumidores aderiu ao derivado de cana por ser menos poluente em relação ao combustível proveniente do petróleo.

Para outros, segundo o diretor da Unica, a diferença de R$ 1,30 por litro entre os dois combustíveis na hora de abastecer leva parte dos consumidores a optar pelo etanol.

Apesar de ser entressafra, quando o produto sobe de preço e perde competitividade em relação à gasolina, o cenário deste ano pode ser diferente.

A gasolina já custa até R$ 5,80 por litro na cidade de São Paulo, conforme a pesquisa mais recente da ANP. Esse valor supera em 33% o valor máximo médio de dezembro.

Já o mínimo apurado pela entidade foi de R$ 4,35, uma alta de 20% no período. Na média, a gasolina está sendo negociada a R$ 4,9 por litro nos postos da cidade de São Paulo.

Parte da demanda de etanol neste período de entressafra da cana será substituída pelo combustível produzido com base no milho, mas a oferta ainda é pequena.

A inflação que vem da roça, e que não deu trégua para o consumidor no ano passado, deve continuar. Os alimentos não estão com as variações explosivas como as de 2020. Os reajustes de preços são menores, mas em bases bem mais elevadas.

A pressão agora virá dos combustíveis, tanto dos derivados do petróleo como dos derivados da cana. Oferta e preços do produto vão determinar até quando seguirá essa demanda aquecida pelo etanol.

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