Home Bioenergia Etanol: fonte diz que Brasil não renovará cota do etanol e pode negociar com EUA
BioenergiaIndústriaMercadoNegócios

Etanol: fonte diz que Brasil não renovará cota do etanol e pode negociar com EUA

etanol
Compartilhar

O Brasil não renovou a cota sem tarifa para importação de etanol, e com isso compras de fora do Mercosul passam a pagar taxa de 20% a partir desta segunda-feira, de acordo com indicação do Ministério da Economia.

Nada impede, contudo, que o governo venha a adotar alguma nova medida que reduza barreiras tarifárias ao etanol e deixe de prejudicar os Estados Unidos, o grande exportador do produto ao Brasil, disse uma fonte do governo.

Segundo nota de esclarecimento do ministério, a portaria que estabeleceu a cota venceu em 30 de agosto. Mas, de acordo com a fonte do governo, a decisão de não renovar foi tomada nesta segunda-feira.

“O prazo legal venceu hoje sem decisão, mas nada impede que uma decisão seja tomada nos próximos dias”, ponderou a fonte, na condição de anonimato, devido à sensibilidade do tema. A não renovação da cota anual é um pedido do poderoso lobby agrícola no Brasil.

No entanto, ao agradar o setor agrícola, o presidente Jair Bolsonaro desagrada o presidente norte-americano, Donald Trump, e produtores de etanol e de milho antes da eleição dos EUA, em um momento em que as vendas de combustível estão baixas devido à pandemia.

Com o fim da cota, o Brasil agora deverá buscar uma negociação comercial com o governo Trump, para evitar eventuais retaliações norte-americanas.

Segundo a fonte, o Brasil quer sentar à mesa com os americanos para combinar “um novo pacote, mais equilibrado”, para uma negociação que parta do zero.

A conversa, contudo, dependeria de vontade política de Trump, que vem sendo pressionado por produtores em seu país a impor uma tarifa de importação, caso o Brasil não elimine a sua.

“Acho que teremos uma solução negociada, isso ainda está em aberto, mas há interesse e desejo de ter uma solução ganha-ganha”, acrescentou.

Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), disse anteriormente que qualquer liberalização no comércio de etanol deveria ser seguida por um movimento para reduzir o imposto de importação dos EUA sobre o açúcar brasileiro.

A discussão fora retirada da reunião da semana passada da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão interministerial que define essas questões.

Na ocasião, a fonte disse que a negociação com os EUA poderia tomar três caminhos: livre comércio de etanol por livre comércio em açúcar; manutenção do regime de cotas, com uma calibragem na quantidade e distribuição ao longo do ano; e fim do regime de cotas com uma calibragem na tarifa.

A fonte disse ainda que a opção mais realista é a segunda, com a manutenção do regime de cotas.

Compartilhar

Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
AçúcarMercadoÚltimas Notícias

Petróleo em queda leva açúcar ao menor nível em dois meses, mas clima na Índia limita perdas

Os preços do açúcar voltaram a recuar no mercado internacional nesta segunda-feira....

açucar
AçúcarMercadoÚltimas Notícias

Dólar forte e queda do petróleo pressionam açúcar, mas clima na Índia limita perdas

Valorização da moeda norte-americana e recuo do petróleo aumentam pressão sobre as...

AçúcarMercadoÚltimas Notícias

Monções fracas na Índia impulsionam açúcar e reacendem preocupações com oferta global

Déficit de chuvas no início da temporada de monções e riscos associados...

açucar
Últimas NotíciasMercado

Petróleo e câmbio pressionam açúcar; mercado teme aumento da oferta global

Queda do petróleo reduz competitividade do etanol, enquanto desvalorização do real favorece...