O discurso das gerações

O discurso das gerações está tomando novos rumos, adaptados ao cenário de ruptura de conceitos, teorias, visões e práticas que propõem explicar as questões de forma unilateral ou sob óticas sensacionalistas

*Beatriz Resende

Há muito me incomodava os discursos mais radicais sobre as gerações estudadas nas organizações, a saber: os tradicionais; baby boomers; X; Y e Z. Menos pela cronologia proposta, o que trazia certa coerência, mas pela estratificação de características limitadas a cada um dos “tipos” estudados.

O discurso das gerações está tomando novos rumos, adaptados ao cenário de ruptura de conceitos, teorias, visões e práticas que propõem explicar as...
O discurso das gerações está tomando novos rumos, adaptados ao cenário de ruptura de conceitos, teorias, visões e práticas que propõem explicar as…

Quando o mercado passou a falar muito nesse tema, comecei a avaliá-lo na prática, e já de antemão não conseguia enxergar tais características de maneira unânime quando avaliava os representantes de cada geração.

A partir daí passei a entender que, além da cronologia, um grande impacto no perfil de uma pessoa-profissional que olhamos em nossas organizações vem de sua formação; dos valores que foi criado; dos estímulos que recebeu desde cedo; do modelo mental que adotou na vida; das experiências e oportunidades que teve; das dificuldades e traumas que passou; dos exemplos que absorveu.

Não dá para dizer que todos que têm a mesma faixa etária possuem as mesmas características. Mas foi e é uma importante contribuição para que possamos nos balizar ao buscar entender as pessoas que convivemos e trabalhamos diante de cenários complexos que exigem cada vez mais das empresas, do ser humano adulto e das relações.

Tenho estudado e falado muito sobre esse futuro já presente. E tenho gostado de novas visões que buscam preparar-nos para ele, de uma forma razoável, factível e impactante o suficiente para pensar e agir.

Quando a questão das gerações começou a ser discutida, nas primeiras décadas do século XX, os períodos entre grandes transformações eram bem mais longos do que hoje. Entendeu-se que uma geração tinha um ciclo de 30 anos.

Hoje não tem mais sentido olhar dessa forma. As influências externas, fator importante para identificar a evolução das gerações, estão mudando o tempo todo e com velocidade crescente. A tendência é que as experiências sejam cada vez mais personalizadas e não coletivas. Ao invés de se pensar em gerações, vamos ter que lidar com indivíduos.

As generalizações e os estereótipos estão dando lugar a uma diversidade cada vez mais presente e granular. Rodrigo Vianna, Ceo da Mappit (Empresa de Pesquisas) cita num artigo da Revista Época Negócios: “gestores devem se esforçar para compreender as diferenças, sem se apegar a preconceitos etários (ser contra ou a favor de qualquer geração)”. Muitas empresas, eufóricas com a explicação das gerações e suas diferenças, conduziram tão mal esse assunto que foram acusadas de etarismo, a discriminação por idade.

Os rumos pelos quais esses assuntos estão sendo tratados nos leva cada vez mais à necessidade de olhar mais profundamente para as pessoas. Numa era onde a nuvem da aplicação da tecnologia se mostra cada vez mais perto de nós, e podemos tocá-la, o olhar para o ser humano e sua contribuição particular e única à evolução será premissa.

As pessoas já se mostram impacientes e intolerantes com a generalização e a banalização de tudo. Elas têm aprendido a separar o que é bom, o que faz sentido e o que tem consistência. Quero crer que os modismos não encherão mais os olhos de tanta gente de uma vez só. E não caberão na realidade, na escolha e no olhar de todos.

Faz-se importante enxergar a realidade com vieses. E preparar-nos para uma série de quebra de paradigmas que estão nos atropelando, literalmente. A conexão entre pessoas e pensamentos para gerar a evolução será condição primária.

A pluralidade de conhecimentos, de pontos de vista, de visões, de contribuições e de perfis colaborará, e muito, para esse futuro que apesar de ser associado à tecnologia, dependerá cada vez mais de pessoas.

*Beatriz Resende é Consultora, palestrante e conselheira de Carreira da Dra. Empresa – Consultoria Empresarial

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