Home Últimas Notícias Opinião: Consumo doméstico dita o mercado de etanol nacional
Últimas NotíciasOpinião

Opinião: Consumo doméstico dita o mercado de etanol nacional

Compartilhar

Robustez e expertise sempre foram palavras que marcaram a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar no Brasil. Mais recentemente, a produção do biocombustível a partir do milho vem mostrando uma trajetória de constante crescimento – os investimentos em novas usinas que utilizam o cereal como matéria-prima seguem intensos.

Um fato que se sobressai é que o consumo do etanol brasileiro é majoritariamente doméstico. Em 2025 (de 1º de abril a dezembro), do total produzido de anidro e hidratado no Centro-Sul, que foi de 30,84 bilhões de litros, apenas pouco mais de 4% foram enviados ao exterior. Na safra 2015/16 (de abril/15 a março/16), o percentual foi de 5,4%; e, no ciclo 2005/06 (abril/05 a março/06), de 14,8%, segundo números da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) e da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Dados da Secretaria mostram que 1,7 bilhão de litros foram enviados ao exterior em 2025, contra 1,86 bilhão de litros em 2015 e os expressivos 2,59 bilhões de litros em 2005. O volume caiu de maneira expressiva, com dependência de alguns poucos países importadores.

Em 2005, 2015 e 2025, os Estados Unidos foram o maior destino do produto nacional. A Coreia do Sul também ganhou espaço no ano passado.

Alguns fatores como condições de arbitragem menos favoráveis, foco na produção e armazenagem do etanol pelo produtor podem influenciar ou mesmo limitar volumes maiores de exportação. No caso dos envios aos Estados Unidos, o “tarifaço” do presidente Donald Trump em 2025 até afetou os embarques brasileiros. Mas a relação de quanto foi exportado para os norte-americanos e de quanto foi produzido de etanol no Brasil é pequena, podendo ter havido pouco impacto para o setor sucroenergético nacional.

Em termos de consumo interno, o volume de etanol hidratado somou 21,2 bilhões de litros na prévia de 2025 (até novembro) no Brasil (dados da ANP), redução de 2,32% no comparativo anual. No caso da gasolina A, que recebeu mais etanol anidro a partir de 1º de agosto de 2025, o desempenho foi bem robusto no mesmo período, somando 46,6 bilhões de litros – crescimento de 5,02%.

Nesse cenário, os preços domésticos dos etanóis anidro e hidratado atingiram patamares mais altos na temporada 2025/26 frente a anos anteriores. Além dos fatores exógenos, como temperaturas mais altas e regime de chuvas, a variável demanda interna deu o tom no ciclo atual.

Na parcial da temporada 2025/26 (de abril a dezembro/25), os Indicadores CEPEA/ESALQ mensais do anidro e do hidratado (estado de São Paulo) superam em respectivos 5,24% e 5,83% os do ciclo anterior (2024/25), em termos reais – deflacionamento pelo IGP-M. No caso do etanol anidro, a média parcial da safra atual, que é de R$ 3,0420/litro, é a sexta maior dos últimos 10 anos-safra; para o etanol hidratado, no mesmo comparativo, é a sétima maior, a R$ 2,7075/litro.

O fator produção também teve parcela de suporte na trajetória de alta dos preços ao produtor. Com menor oferta, os estoques atravessaram o ciclo atual mais apertados na comparação anual. Além disso, alguns vendedores (usinas produtoras e comercializadoras) esperaram o melhor momento para vender o biocombustível, especialmente nos meses atuais de entressafra (de janeiro a março).

Assim, a safra 2026/27, com início oficial previsto para abril, pode ser um pouco diferente da anterior e marcada por atenção redobrada às cotações do açúcar no mercado internacional e à expansão da produção de etanol, especialmente diante do risco de a oferta avançar em ritmo superior ao da demanda. Agentes de mercado indicam ambiente de maior cautela para o ciclo.

 

*Ivelise Rasera Bragato Calcidoni é pesquisadora de etanol do Cepea
Compartilhar

Ep. 21: O futuro do setor sucroenergético | Perspectiva para Safra 2026/27

Episódio 20: Murchamento: A Nova Ameaça da Cana | DaCana Cast

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas Notícias

Tempo seco em área central do Brasil ameaça milho tardio, mas favorece colheita de cana

Um tempo mais seco em parte da região central do Brasil coloca...

Últimas Notícias

Etanol dos EUA deve manter vantagem sobre Brasil na Europa, apesar de acordo com UE

A competitividade do etanol brasileiro no mercado internacional, especialmente na Europa, deve...

Últimas Notícias

Acordo Mercosul-UE pode aumentar exportações brasileiras em 13%, diz Alckmin

O governo brasileiro espera ver um aumento de 13% nas exportações do...

açúcar
Últimas Notícias

Petróleo em alta, real valorizado e menor oferta sustentam preços do açúcar no mercado internacional

Cotações avançam com suporte do etanol e redução das projeções de superávit...