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Produção de hidrogênio verde a partir do etanol entra em discussão no setor

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Um evento online reunindo pesquisadores, técnicos e empresários do setor sucroenergético debateu, na última semana, sobre a produção de hidrogênio verde, que é considerada a aposta mundial de matriz energética renovável para o futuro.

O encontro foi organizado pelo presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool-PB), Edmundo Barbosa, e o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (SIAMIG), Mário Campos.

Na oportunidade, o engenheiro mecânico Daniel Lopes, sócio fundador da Hytron, empresa que atua no mercado de hidrogênio, falou sobre como o Brasil pode se tornar um dos principais players do mundo com a tecnologia de conversão do etanol em hidrogênio.

“Esse não é o sonho de uma empresa, é um sonho de um país. Temos condições de ter um diferencial global, que é o uso do hidrogênio a partir do etanol. Naturalmente, o etanol faz parte do hidrogênio verde. Naturalmente, o etanol consegue solucionar a forma de transporte do hidrogênio. Na indústria do etanol, também podemos obter hidrogênio do biometano, além de outras fontes de produção de hidrogênio no setor”, disse Daniel.

Ainda segundo o engenheiro, os benefícios de se obter hidrogênio a partir do etanol no Brasil são enormes, entre eles está o fato de o etanol ser um combustível renovável, fácil de ser transportado e que já conta com toda uma cadeia de valor estabelecida. Além disso, o etanol não é um combustível tóxico e possibilita a produção plena de hidrogênio verde. Fora que é de fácil armazenamento e permite produção local de H2 próximo ao local de consumo.

Daniel mostrou que, com 38 l de etanol, é possível obter 5 kg de hidrogênio, o que poderia fazer um carro movido a essa tecnologia, como o Toyota Mirai, rodar mais de 1.000 km. O tempo de abastecimento é de, em média, três minutos.

O hidrogênio verde pode ser usado para gerar energia renovável, e de baixo carbono, para veículos (mobilidade urbana) e estacionários, além de servir como insumo para a produção siderúrgica, química, petroquímica, agrícola, alimentícia e de bebida, entre várias aplicações.

Para o engenheiro do Instituto de Tecnologia Canavieira (ITC) Jaime Finguerut, a cana é uma “máquina de produção de hidrogênio”.

“A cana é a melhor solução de hidrogênio que nós temos. Esse hidrogênio tem que ser arrancado do carbono de uma forma mais eficiente que a usina faz hoje. A cana tem muito mais energia do que hoje nós conseguimos obter. Temos a possibilidade de termos hidrogênio a partir do metano e também podemos aumentar a produção de etanol nas usinas hoje”, ressaltou.

O evento online que debateu a produção do hidrogênio verde no Brasil a partir do etanol também contou com a participação de membros da BIOSUL, do Sindalcool-MT e da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (Rio de Janeiro).

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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