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Rede Nacional de Irrigantes é criada para fortalecer agricultura irrigada no Brasil

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A Rede Nacional de Irrigantes (RNAI) entregou ao Ministério da Agricultura e ao Ministério do Desenvolvimento Regional carta aberta contendo sugestões de atividades prioritárias para o desenvolvimento sustentável da agricultura irrigada no Brasil.

Atualmente, a entidade conta como 58 membros, representantes de associações de irrigantes, polos de irrigação, indústria e membros dos principais nichos da agricultura que utilizam a irrigação, sob coordenação da Embrapa Cerrados (DF).

Segundo o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Cerrados e fundador da RNAI, Lineu Rodrigues, com irrigação é possível triplicar a produção de alimentos sem precisar abrir novas áreas.

“Temos muitas razões para criar essa rede. A demanda por alimentos está aumentando em todo o mundo e a produção de alimentos vai ter que aumentar. Esse cenário ainda é agravado pelas mudanças climática e por outras situações, como a procura da população por alimentos diferenciados. Precisamos nos apropriar das tecnologias que já existem para produzir mais alimentos e garantir que todos tenham acesso a eles”.

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Embrapa coordena Rede Nacional de Irrigantes para fomentar a produção de alimento

Segundo a rede, o Brasil é um dos poucos países do mundo com capacidade de triplicar sua área irrigada de forma sustentável. O País possui cerca de 8,2 milhões de hectares irrigados (3,3% do total da área plantada), mas pode chegar a 55 milhões de hectares – o maior potencial de crescimento no mundo.

“A irrigação é, sem dúvida, a tecnologia com maior potencial de contribuir para o aumento da segurança alimentar e ambiental, bem como para redução da fome e da pobreza, além de gerar grande número de empregos”, cita o documento.

A produtividade de algumas culturas pode ser três vezes maior do que a de sequeiro e algumas culturas, como a do arroz, pode produzir até seis vezes mais. Rodrigues explica que o Brasil possui uma forte rede de instituições de pesquisa, que geram tecnologias que são referência para o mundo e destaca que os principais desafios da irrigação no País não são tecnológicos, mas estão relacionados a falta de articulação e integração entre as instituições públicas e privadas para que a agricultura irrigada possa se consolidar, utilizando plenamente todas as vantagens da tecnologia disponível.

O pesquisador aponta ainda a necessidade de se conhecer a capacidade de suporte das bacias hidrográficas brasileiras para saber se elas têm ou não condições de atender todos os usos necessários – geração de energia, abastecimento de água e irrigação, etc.

Em encontro realizado na semana passada, o coordenador-geral de Irrigação e Drenagem do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Frederico Belém, apresentou o andamento da Política Nacional de Irrigação e disse que já foi feito um diagnóstico setorial que apontou a existência de 13 a 15 milhões de hectares de áreas com média à alta aptidão para irrigação, indicando o grande potencial do País para a adoção dessa tecnologia. Neste momento, está sendo encomendando um estudo para entender a movimentação do vapor de água (evapotranspiração) das plantas cultivadas.

Rodrigues explica que é importante que a sociedade tenha um melhor entendimento do ciclo hidrológico. “Usamos muito pouco dos nossos recursos hídricos. Não é verdade que a agricultura utiliza 70% da água doce do País, como dizem alguns. O uso da água no Brasil corresponde a apenas 0,9% da vazão disponível nos rios. Se não considerarmos a água disponível na Amazônia legal, onde está a maior parte dos nossos recursos hídricos, esses usos correspondem a cerca de 5% da água disponível no País”.

Das áreas irrigadas no mundo, 20,3% estão na China. O Brasil tem 2,4% do total. O representante do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), Wesley de Araújo, explicou como está a organização das demandas da agricultura irrigada. Já foram criados sete polos de irrigação e outros estão em formação.

Uma das dificuldades apontadas é saber o quanto de água pode ser utilizada para irrigação. “O órgão ambiental local, em geral, não tem informação sobre a quantidade de água disponível para poder liberar a outorga. Então o MDR está custeando esses estudos”, explica Araújo.

Para viabilizar o desenvolvimento sustentável da área irrigada no Brasil, a RNAI solicita ao governo a implantação do Conselho Nacional de Irrigação, agilidade e aperfeiçoamento nos mecanismos de outorga e licenciamento ambiental e o desenvolvimento de infraestrutura básica, principalmente de fornecimento de energia. Já como resultado da articulação da rede, foi instituído o Dia da Agricultura Irrigada, a ser comemorado em 15 de junho.

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