Safra 2020/21: Açúcar retoma papel de salvador da Pátria

Por Natália Cherubin

Com recordes na produção e preços mais estáveis, o açúcar deverá ser o grande salvador da safra 2020/21. A opinião é da consultoria Job Economia, que também prevê um clima próximo do normal no Centro-Sul e no Norte-Nordeste (NNE).

Apostando em uma moagem total de 647 milhões de t para a safra brasileira, sendo 594 milhões de t no Centro-Sul, Julio Maria M. Borges, sócio-diretor da JOB Economia, acredita que os rendimentos agrícolas se mostram próximos ao da safra anterior, ou seja, não há crescimento previsto no Brasil.

O TCH dos canaviais do Centro-Sul, segundo a consultoria, deve atingir uma média de 78 t/ha. No Nordeste, o TCH deve chegar a 59 t/ha, na média (Veja Tabela 1). “Não existe expansão de área no Centro-Sul e já se observa uma ligeira recuperação no NNE. Os rendimentos industriais das últimas safras oscilam em torno dos valores adotados na previsão.”

A mudança é a forte mudança do mix de produção a favor do açúcar, assim como aconteceu em 2016/17, tanto em termos de produção como em termos de preços relativos do açúcar e etanol.

Segundo Borges, desta vez o açúcar retoma seu papel de salvador da pátria, com preços e demanda melhor que o etanol. “Estão previstos dois recordes neste caso no Brasil: um na produção, de 41 milhões de t; o outro, na exportação de açúcar próxima de 30 milhões de t, cerca de 10 milhões de t a mais que na safra passada. Sendo assim, a Índia perde seu papel de maior produtor mundial de açúcar”, analisa.

Ainda de acordo com o sócio-consultor da JOB Economia, a flexibilidade relevante que o Brasil tem na produção de açúcar terá uma consequência também relevante nos preços do açúcar no mercado internacional daqui para a frente. “Sempre que o açúcar estiver remunerando o produtor melhor que etanol, o Brasil tende a produzir mais açúcar e aumentar a oferta global do produto.”

Além disso, a situação vem sendo observada no passado, de déficit de oferta com preços altos por duas ou três safras seguidas, tende a não mais ocorrer e os preços internacionais serão relativamente mais estáveis.

“Com isto o Brasil se torna um regulador de preços no mercado internacional de açúcar e o estímulo exagerado de preços para aumento de produção em paises de custo relativamente alto deixa de existir. O mercado internacional de açúcar poderá ter uma concorrência mais justa”, observa.

Etanol: do recorde para mínima produção

Quanto ao etanol deve, a consultoria acredita que será observada uma produção mínima necessária para viabilizar o processo de produção na usina. O etanol mais uma vez se posiciona como produto de ajuste da safra.

No entanto, Borges ressalta que esta flexibilidade na produção das usinas brasileiras tem sido de grande valia para a viabilidade econômica do negócio de cana-de-açúcar. “Esperamos que o RenovaBio não seja um entrave a esta flexibilidade e seja realmente um meio de melhorar o negócio.”

Consumo

A previsão da consultoria para o consumo de ciclo Otto nesta safra, é que sofra uma queda de 12% + 2,5%. A queda prevista na demanda de etanol combustível é de 16%. “O abastecimento do mercado de ciclo Otto pelo etanol será mínimo e comparável àquele observado em 2016/17. Cerca de 25% do potencial de mercado do etanol será abastecido nesta safra 2020/21. Exportações e importações serão próximas daquelas da safra passada”, afirmou Borges.