Tecnologia Agrícola – Peças de reposição: genuínas, originais ou paralelas

Peças genuínas continuam sendo a opção mais segura e de maior custo-benefício, entretanto, as paralelas aparecem como boa alternativa quando o assunto são peças simples

Alisson Henrique

Quando um veículo ou máquina agrícola sai para o departamento de serviço da concessionária para realizar uma manutenção, é seguro que este veículo ou máquina agrícola será reparada com peças OEM (Original Equipment Manufacturer), ou seja, peças genuínas. No entanto, se for levado a uma prestadora de serviços de manutenção independente, provavelmente surgirão outras opções para as trocas de peças. Além das genuínas, podem ser ofertadas peças originas e as paralelas. Mas, há algo de errado com isso? Será que uma peça menos cara significa que é pobre em qualidade? E em que situações se deve usar apenas peças originais ou genuínas?

Segundo Rodrigo Siqueira, gerente Corporativo de Peças do Grupo Tracan/TMA, peças genuínas são produzidas para a fabricante do veículo, podendo ser feitas pela fabricante ou por empresas terceirizadas. Quando é confeccionada por uma terceirizada e vendida no mercado paralelo, a peça é chamada de original, mesmo sendo também genuína. Genuína é somente aquela comprada com a marca da fabricante do veículo. “Peças genuínas são itens homologados pela empresa, idealizadas pela engenharia, baseadas na real necessidade de cada aplicação, dando aos equipamentos robustez e garantia de disponibilidade do produto. Apesar de ter similaridade, as peças originais não possuem a homologação e garantia de qualidade da companhia, podendo comprometer a disponibilidade dos equipamentos”, explica.

Já as peças alternativas ou paralelas são geralmente feitas por empresas que desenvolvem os equipamentos para produzi-las. Muitas vezes, na fabricação, a empresa coloca um adesivo na peça, como se fosse um selo, além de embalá-la e vendê-la para o setor de autopeças. As peças de reposição são geralmente mais baratas do que as peças OEM. O quanto vai se economizar varia, porque depende da marca. Por isso, é importante pesquisar não só para encontrar o melhor preço, mas também para ter uma ideia do quanto aquela parte original normalmente custa. Se o preço de uma peça parece bom demais para ser verdade, desconfie e faça perguntas sobre a qualidade.

Empresas fabricantes de máquinas, implementos e veículos são enfáticos quando são questionados a respeito da qualidade. “Peças paralelas não tem nenhum compromisso com a qualidade e disponibilidade dos equipamentos, sendo a opção ‘barata que sai cara’, pois no primeiro instante há uma economia, mas quando o equipamento precisa dos itens, os mesmos deixam a desejar”, opina Siqueira.

CUSTO-BENEFÍCIO

O item custo-benefício é sempre um fator a ser visto quando a economia e eficiência estão em pauta. Silvio Renan, da Mercedes-Benz, revela que hoje a empresa conta com um amplo portfólio de peças de reposição, com mais de 75 mil itens, com aplicabilidade em todas as suas linhas de veículos comerciais. “Todas as peças genuínas obedecem aos processos produtivos de forma a garantir a qualidade preconizada pela marca para assegurar o melhor desempenho e durabilidade de seus produtos. ”

Silvio Renan conta que hoje a Mercedes-Benz indica que seus clientes optem sempre pelo uso de uma das linhas de peças disponibilizadas pela marca (genuínas, remanufaturadas e Alliance), para garantir a originalidade e a qualidade de seu veículo

De acordo com o gerente Corporativo de Peças do Grupo Tracan/TMA, hoje há uma falsa impressão, baseado no preço de mercado, de que o produto paralelo é mais barato, porém quando submetido ao trabalho fica evidente que o item genuíno tem o melhor custo-benefício. “Mesmo custando um pouco mais, a peça genuína é garantia de funcionamento integral dos equipamentos. Qualidade, é o principal quesito das peças genuínas, uma vez que há o desenvolvimento de engenharia para garantir a durabilidade e entrega da disponibilidade dos equipamentos, fator que as peças paralelas não possuem”, adiciona.

Para Henrique Sá, gerente de Peças Case IH, as peças paralelas, mesmo com um menor preço, não conseguem competir com as genuínas na conta final. “É justamente no quesito qualidade que as peças se diferem. Uma peça genuína é fabricada, testada e homologada por quem entende do assunto, ou seja, o setor de engenharia da fábrica. Os itens genuínos possuem garantia, e proporcionam o melhor desempenho de qualquer equipamento no campo. Por outro lado, conforme esse grau de confiabilidade desaparece com itens que não são genuínos, a durabilidade, rentabilidade e garantia dos equipamentos vão se perdendo também. ”

Marcelo Traldi, diretor de pós-vendas da AGCO América do Sul, não recomenda a utilização de peças paralelas nas máquinas agrícolas da companhia. Para ele, em qualquer troca as peças genuínas são as únicas que oferecem que a operação tenha sempre a máxima performance, tal qual como a máquina foi projetada. “A peça genuína possui a especificação correta para o produto que está sendo reparado, o que aumenta a disponibilidade da máquina. A utilização de peças paralelas acarreta na perda da garantia do equipamento, além de afetar negativamente o desempenho da máquina, inclusive podendo provocar prejuízos. ”

O gerente de Peças Case IH afirma que o preço de mercado de itens genuínos e paralelos é muito diferente e fica evidente que os itens genuínos possuem maior valor de mercado, pois entregam maior eficiência ao equipamento. Mesmo assim, ele acredita que o produtor deve procurar o que faz com que seu equipamento gere maior retorno ao final do trabalho. “Não existe lógica em somente ganhar no preço, mas ter o equipamento prejudicado e o trabalho no campo parado. Por isso o custo-benefício em usar as peças genuínas é muito maior”, acrescenta.

 

 

Segundo Henrique Sá, as peças paralelas não conseguem competir com as genuínas na conta final

Ainda de acordo com ele, o produtor nunca deve colocar em sua máquina um item de reposição do mercado paralelo, pois não há garantias que a peça irá fornecer o resultado esperado. “Mas entendemos a situação de mercado e por isso a Case IH colocou à disposição dos clientes a linha de peças NEXPRO. Ela tem como objetivo estar presente em toda a vida útil dos equipamentos sendo capaz de assegurar o máximo desempenho das máquinas mais antigas. A Case IH é pioneira no mercado do agronegócio. Na região de Ribeirão Preto, a Tracan já oferece essa linha de itens homologados e certificados, que competem diretamente com o mercado paralelo. Além disso, possuem a qualidade e necessariamente a eficiência que as máquinas precisam. Queremos resgatar os clientes que se afastaram das concessionárias oferecendo uma linha de itens com preços mais competitivos”, afirma o gerente de Peças Case IH.

A aceitação da nova linha de peças tem sido tamanha que tem feito com que o programa cresça acima da média do setor. “Nosso portfólio de produtos NEXPRO também está crescendo com o objetivo de alcançar diversos segmentos que estamos inseridos, o que trará grandes benefícios aos nossos clientes. Conseguimos uma boa inserção no mercado”, complementa.

Paulo Teston, diretor da Teston, empresa fabricante de transbordos de alta capacidade e prestadora de serviços de corte e transbordamento de cana, explica que enquanto uma [peça paralela] está vendo o custo, a outra [genuína] está vendo a durabilidade. “Quem usa a peça paralela geralmente usa pensando no custo do agora. Porém, se for uma peça de características mais complexas como retentores, rolamentos, engrenagens, componentes elétricos, hidráulicos, isso tudo tem que ser original. Mas assoalho, chaparia etc você consegue usar os paralelos. Então quais são os benefícios de ambas? O da paralela é o custo – você sente que economizou na hora. Mas o das peças genuínas é, sem dúvida, a longevidade. Ou seja, quantos me custou aquela peça para eu executar aquele serviço. No final das contas a genuína acaba custando muito mais barato do que a paralela, se tratando sempre de peças complexas.”

Traldi revela que a possível diferença de preço nas peças genuínas é facilmente justificada pela qualidade da mesma, que oferece maior desempenho e disponibilidade para as máquinas. “Além disso, as peças genuínas possuem garantia maior do que as que são encontradas no mercado alternativo. Ao adquirir uma peça fornecida pela AGCO, por exemplo, o produtor rural ganha um ano de garantia, ao optar pela instalação com um mecânico da concessionária, ou seis meses de garantia, caso opte por fazer a instalação de forma autônoma”, detalha.

A Mercedes-Benz indica que seus clientes optem sempre pelo uso de uma das linhas de peças disponibilizadas pela marca (genuínas, remanufaturadas e Alliance), para garantir a originalidade e a qualidade de seu veículo. Renan explica que com as três opções de peças de reposição disponibilizadas pela marca em sua Rede de Concessionários (Genuína, Renov e Alliance), os clientes têm várias opções para manutenção de seu veículo, cada uma delas com o preço competitivo e adequado ao seu perfil de atuação.

“Hoje, depois de um trabalho de equalização de mercado, esta diferença de mercado reduziu significativamente, compensando com o maior tempo de vida útil, qualidade e garantia do item genuíno”, salienta Siqueira, gerente Corporativo de Peças do Grupo Tracan/TMA.

PARALELAS: NUNCA?

Diferente de outros especialistas, Paulo Teston explica que em alguns casos as peças paralelas podem sim ser uma opção. No entanto, ele deixa claro que as genuínas são sempre melhores. “As peças paralelas são cópias, então o que acontece na maioria das vezes é que ela não suporta a pressão, temperatura ou carga. Isso porque ela não foi projetada para isso. Ela foi imitada. Então é aí que o problema surge. Todavia, algumas peças paralelas conseguem competir com os originais. Isso se a empresa que está desenvolvendo a peça usar o mesmo material que a original”, complementa.

Ele acrescenta que é necessário ver se tem a mesma montagem, a furação na posição certa e claro, se a peça é de boa qualidade. “Se for de excelente qualidade, ela vai se encaixar. Existem alguns casos em que as paralelas podem ser usadas com tranquilidade. No caso das colhedoras de cana posso citar o assoalho. Se usar o mesmo material que está na máquina quando vem nova, ele vai aguentar exatamente a mesma quantidade de horas. Então é uma peça de fácil fabricação. Agora se você pegar um eixo, uma engrenagem, onde todo um processo é feito para que aquela peça suporte todas as adversidades que este trabalho exige, a paralela não é uma boa opção. Ou seja, nas peças mais simples a original e a paralela podem sim bater de frente. ”

Na maioria das vezes a diferença de custo entre as peças chega a ser em torno de 60% a 100%. Isso comparando com as paralelas de boa qualidade. “Tem outras que não valem nada e você compra por qualquer preço. Mesmo que algumas peças possam ser paralelas, é sempre bom deixar claro que se estou colocando somente peças originais na minha máquina eu estou mantendo ela nas características da engenharia. Ou seja, mantendo a máquina na mesma característica e na mesma funcionalidade. Ela vai funcionar sempre para o fim que ela foi projetada. Quando você começa a colocar muita peça paralela as montagens podem não bater, não dar certo e aí vai ficando uma folga aqui outra ali. Conclusão: a sua máquina terá a vida útil reduzido e o gasto aumentará com manutenção. ” 

Atualmente as empresas de peças paralelas fazem a engenharia reversa e trabalham os pontos fracos da peça. Por exemplo, quando uma montadora projeta suas pastilhas de freio, tem que encontrar um equilíbrio entre custo, durabilidade, níveis de ruído e desempenho. Se você quiser um melhor desempenho e não se importa com um pouco de barulho de freio adicional (algumas pastilhas de freio rangem mesmo que elas estão parando o veículo de forma eficaz), uma pastilha paralela pode ser sua melhor escolha. “Hoje há centenas de empresas que fazem peças de reposição/paralelas. Algumas se especializam em partes específicas e outras fazem qualquer parte que você possa pensar. Isso significa maior variedade e uma ampla gama de preços. Todavia é sempre bom salientar que pesquisar para ver se tal peça se enquadra ou não na lista das em que as paralelas são aceitas ou não faz toda a diferença. Na dúvida, opte pela genuína”, conclui Teston.