Unica destaca o RenovaBio em seminário nos EUA

“O Brasil criou uma política de biocombustíveis que será um driver de inovação para o setor sucroenergético e para o País”. Esta foi a mensagem que a representante na América do Norte da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Letícia Phillips, compartilhou com os participantes da National Ethanol Conference (NEC), em Houston, nos Estados Unidos, na última terça-feira (11). A participação da Unica faz parte do projeto setorial com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Durante o painel “A Emergência de Padrão Internacional de Combustível Limpo: um condutor de inovação ou uma forma de protecionismo da indústria local?”, Letícia relatou os objetivos principais da Política Nacional Brasileira de Biocombustíveis (RenovaBio). Em sua fala, a representante da Unica explicou que essa lei auxilia o Brasil a atender as metas do Acordo de Paris.

Em vigor desde dezembro, o RenovaBio tem como finalidade reduzir as emissões de CO2 no território brasileiro por meio do aumento da capacidade de produção de biocombustíveis e do estímulo a competição entre as usinas. Para isso, essa lei traz o Crédito de Descarbonização por Biocombustíveis (CBio), um instrumento financeiro que serve para a comercialização de créditos de descarbonização com o intuito de comprovar a meta individual de distribuidoras de combustíveis, que podem comprar CBios para compensar a emissão de CO2 e incentivar a participação das usinas no RenovaBio.

Assim, Letícia destacou que o CBio é uma nova moeda no mundo de baixo carbono e que o RenovaBio é um programa que compensa as externalidades positivas dos combustíveis limpos, como o etanol de cana-de-açúcar. Ao final, a porta-voz da Unica na ocasião contou que, no momento, existem 11 usinas de etanol certificadas e aptas para comercializar CBios e mais 143 aguardam certificação. Além disso, Letícia falou das oportunidades e novas fronteiras que serão abertas com o Renovabio, como o biogás, o potencial crescimento da bioeletricidade e a produção de etanol de milho.

Participaram também do painel o Consultor de Sustentabilidade da Ethanol Europe, Zoltan Szabo, o Conselheiro Jurídico da Renewable Fuels Association, Edward Hubbard, o Presidente da Dwyer Agri-Associates, Mike Dwyer, e o Presidente da S&T Squared Consultants, Don O’Connor.

O pioneirismo do Brasil em usar combustível de alta mistura, o E27, foi elogiado pelos oradores do painel. O representante da Europa, Zoltan Szabo, enfatizou a importância de haver uma padronização de combustíveis internacional, algo em torna de E20-E30.

Durante a apresentação do painel, foi debatida a existência de um caminho no setor sucroenergético para Brasil e Estados Unidos cooperarem vis-à-vis a tarifa de importação de etanol imposta pelo Brasil. Com isso, foi destacado que existe uma cota brasileira sem tarifa que foi aumentada em 25%.

“Acredito que os governos dos dois países tentarão achar uma solução que beneficie ambos. É importante ressaltar a importância de os Estados Unidos abrirem seu mercado de açúcar, que é extremamente protegido. Isso traria benefícios para o nordeste brasileiro, região extremamente afetada pela importação de etanol americano”, concluiu Letícia.

Também participou da NEC o vice-secretário de política internacional do US Department of Agriculture, Ted McKinney, que deixou claro que, mesmo discordando da tarifa imposta pelo Brasil, tem consciência da importância de ambos países trabalharem juntos para expandir o uso de etanol globalmente.

A NEC está em sua 25° edição e contou com a presença de cerca de 1000 líderes do mercado de biocombustíveis americano. O evento foi aberto pelo ex-presidente norte americano, George W Bush, que salientou a importância de diplomacia entre líderes de governos para avançar em cooperação bilateral.

Projeto

A Apex-Brasil e a Unica tornaram pública em fevereiro de 2008 uma estratégia para promover a imagem dos produtos sucroenergéticos no exterior, em especial do etanol brasileiro como uma energia limpa e renovável. As duas entidades assinaram um convênio que prevê investimentos compartilhados.

O projeto pretende influenciar o processo de construção de imagem do etanol e demais derivados da cana junto aos principais formadores de opinião mundial – governos e meios de comunicação, bem como empresas de trading, potenciais investidores e importadores, ONGs e consumidores.