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Unica não espera retaliação dos EUA após fim de cota para etanol

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A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) disse nesta terça-feira que não espera que os Estados Unidos promovam retaliações após o governo brasileiro não renovar uma cota para importações de etanol livres de tarifas, que era utilizada quase que inteiramente por produtores norte-americanos.

A cota livre de tarifas, de 187,5 milhões de litros de etanol, expirou na segunda-feira. Uma fonte do governo brasileiro afirmou na semana passada que as negociações entre os dois países para uma renovação da medida, em um acordo que poderia incluir o açúcar, não progrediu.

“O governo brasileiro renovou a cota da última vez na esperança de um acordo que incluísse o açúcar, o que não aconteceu, então chegou ao fim”, disse o presidente da Unica, Evandro Gussi.

Questionado, em entrevista coletiva online, se teme que Washington retalie por meio da limitação das importações de açúcar do Brasil pelos EUA, Gussi disse não ver razão para que isso ocorra, uma vez que a tarifa é do Mercosul.

O Brasil faz parte de uma cota de exportação de açúcar para os EUA com tarifa reduzida. Recentemente, essa participação foi ampliada para 310 mil toneladas ao ano, enquanto os países mantinham negociações sobre um acordo comercial para o setor. O volume, contudo, é ínfimo perto das exportações mensais do Brasil, acima de 3 milhões de toneladas nos últimos meses.

Sem a cota para o etanol, qualquer exportação do biocombustível dos EUA para o Brasil terá de pagar uma tarifa de 20%.

Os governos dos dois países ainda não comentaram o assunto.

“Tudo o que eu escuto é muito negativo, mas ainda não ouvi nada direto da fonte”, disse nesta terça-feira o senador norte-americano Chuck Grassley, de Iowa, sobre a possibilidade de um acordo com o Brasil ser anunciado.

Grassley acrescentou que acredita que antes do final da semana terá mais certeza sobre se o acordo será prorrogado.

A indústria de etanol dos EUA consome mais de 30% do milho produzido no país. No Brasil, a cana-de-açúcar é a principal matéria-prima do etanol, produzido pelas mesmas empresas que fabricam açúcar.

Geoff Cooper, chefe do grupo da indústria de etanol dos EUA RFA, disse ter sido informado que as negociações continuam.

“Esperamos que um acordo possa ser alcançado. Deixamos bem claro para todos que uma tarifa de 20% seria devastadora para a indústria de etanol dos EUA”, disse ele.

Gussi, da Unica, acredita que a mudança política nos EUA, onde Joe Biden assumirá o cargo de Donald Trump como presidente no mês que vem, tornará mais difícil um acordo, dizendo que os democratas geralmente são mais protecionistas que os republicanos.

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