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Nos últimos meses o presidente da Volkswagen na América Latina, Pablo Di Si, reuniu-se com produtores de etanol e visitou usinas e das conversas com o setor surgiram novos planos para o etanol.

Em revelação feita em Live realizada pelo jornal Valor, o executivo falou sobre o potencial do combustível derivado da cana-de-açúcar, que pode ir muito além do seu uso nos motores a combustão, como funciona hoje na maior parte da frota brasileira.

Indústria e usinas começam a discutir a possibilidade de a energia gerada a partir do etanol servir para carregar as baterias de carros elétricos. A ideia, agora, é fazer com que o etanol seja mais uma fonte de geração de energia. Assim como hidrelétricas, energia solar, eólica ou o hidrogênio, em fase avançada na Europa.

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Durante entrevista na Live, Di Si destacou que o desenvolvimento de um projeto nesse sentido precisa envolver indústria, usinas, governos federal e estaduais e as áreas acadêmicas e de pesquisa.

“Precisamos saber que tipo de país queremos; destravar a burocracia e liberar as empresas para serem mais leves”, disse.

Para ele não é importante só ter o carro elétrico, mas saber como abastecer. E por que não usar o etanol?, ele indagou. “A tecnologia não existe hoje, mas com pesquisas, podemos [alcançar isso]. Precisamos estudar como transformar esse etanol e abastecer o carro elétrico, mas não só no Brasil, mas nos Estados Unidos, na China”, acrescentou.

Volks quer carros elétricos

Carros elétricos estão no planejamento de lançamentos da Volks no Brasil para os próximos cinco anos. Mas Di Si não revelou detalhes. Mundialmente, o grupo Volks anunciou o investimento de R$ 73 bilhões nos próximos cinco anos para o lançamento, ao longo de 10 anos, de 70 modelos totalmente elétricos e 60 híbridos.

Di Si defendeu programas de transição para a eletrificação dos veículos com incentivos na compra de modelos elétricos. “O que se vê na Europa, nos Estados Unidos, são [políticas] que no período inicial incentivam o consumidor, não as empresas. Esses incentivos não duram a vida toda. Um, dois, três, quatro anos, o que seja”.

O executivo prevê expansão de 15% a 20% tanto em produção como vendas de veículos no Brasil em 2021 na comparação com 2020. A boa notícia, segundo ele, é que a reação de outros mercados da América Latina, como a Argentina, tem sido melhor que no Brasil, o que favorece a indústria e em especial a Volks, maior exportadora do setor.

Investimentos no Brasil

A Volkswagen está prestes a anunciar um novo programa de investimentos no Brasil. O término do último plano, de R$ 7 bilhões, programado para o fim de 2020, foi prorrogado em seis meses por conta da pandemia.

Di Si acredita na possibilidade de o comércio exterior brasileiro se fortalecer com a chegada de um novo governo nos Estados Unidos. “É preciso tirar todo o ruído político; o Brasil tem muito a oferecer”, disse.

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