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Em vigor desde março com a regulamentação do Renovabio, a elevação do percentual de 8 para 10% de biodiesel no diesel comercializado no Brasil deve gerar uma demanda adicional pelo biocombustível de 1,3 milhão m3 já em 2018. Em receita, isso equivale a R$ 3,5 bilhões, segundo estimativa da consultoria Terrafirma.

A alteração no mix, antecipada em um ano pelo Governo, deve ainda elevar a demanda dos atuais 4,4 para 7,5 milhões m3/ano entre 2017 e 2030. A receita média do segmento passaria, portanto, de R$ 11,5 a 19,6 bilhões/ano no período. A projeção considera o uso do biocombustível apenas para a composição da mistura de 10% definida por lei.

A mudança vai gerar ao setor uma receita adicional às usinas produtoras de R$ 8 bilhões no acumulado de 2017 a 2030. Mesmo com a elevação na demanda, não serão necessários novos investimentos em capacidade, que atualmente é de 7,8 milhões de m3/ano e, mesmo no cenário pós-regulamentação, deve atingir o limite só em 2037.

Outro impacto deve ser a redução nas importações de diesel puro. Já em 2018, a consultoria espera uma redução de 1,3 milhão de m3 em relação ao ano passado, quando as importações atingiram a marca de 13 milhões de m3. A redução nas compras externas deve gerar ainda uma economia de R$1,86 bilhão.

A redução na importação também vai aliviar a demanda de tancagem em Paranaguá, Santos, Itaqui e Suape, que concentram 79% da importação de diesel. A expectativa da consultoria é uma redução entre 5 e 15%, o que vai facilitar a operação logística de combustíveis nesses portos.

Para o consultor e sócio da Terrafirma Júlio Favarin, o alívio seria benéfico principalmente em Santos, onde a espera para navios que desembarcaram combustíveis vem aumentando. Em 2010, o tempo médio nos sete terminais de combustíveis do porto era de 1,7 dia. Hoje é de 5,1, chegando a 8 dias no AGEO I.

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