No Centro-Sul, diretriz busca elevar indicador para patamares entre 140 e 150 t/ha no primeiro corte e incrementar a produção de etanol
No Centro-Sul do Brasil, os dois primeiros meses do ano tiveram melhor distribuição de chuvas, proporcionando bom vigor vegetativo aos canaviais, após o último trimestre de 2025 ter registrado baixa precipitação. A análise é do diretor do Instituto Agronômico (IAC) e líder do Programa Cana IAC, Marcos Landell.
Nessas condições, o pesquisador recomenda ajustes no modelo produtivo a fim de sustentar ganhos estruturais no setor. Para ele, a janela de plantio é um dos pilares nessa estratégia. A orientação é priorizar os plantios no período de março a maio nesse contexto da região.
Essa diretriz busca elevar o desempenho do primeiro corte para patamares entre 130 e 145 toneladas de cana por hectare. São estimadas perdas de até 40 t/ha devido ao impacto do plantio fora do calendário adequado.
Outro objetivo é reduzir a queda de produtividade entre cortes para 10%, adotando a Tecnologia do Terceiro Eixo, que diminui a exposição da cana-de-açúcar ao déficit hídrico, ampliando a sua produtividade.
De acordo com essa tecnologia do Programa IAC, a recomendação é não colher os canaviais de primeiro e segundo cortes de maneira antecipada, nos meses do primeiro trimestre de safra, já que o sistema radicular da planta se aprofunda ao longo dos cortes.
Assim, a colheita desses primeiros ciclos nos meses de abril a junho proporciona maior conforto aos canaviais por submetê-los a uma menor deficiência hídrica.
Atualmente, do primeiro para o segundo corte a perda varia de 16% a 18%. “Em um cenário de 140 t/ha no primeiro corte, o segundo poderia ficar em torno de 126 t/ha e o terceiro permanecer acima de 110 t/ha, alterando o padrão histórico da lavoura”, explica Landell.
A manutenção da estabilidade ao longo dos ciclos pode reduzir a necessidade de reforma anual do canavial para cerca de 10% da área total. Atualmente, esse índice varia de 15% a 18%. Esse ajuste reduziria a pressão sobre o plantio e viabilizaria melhor organização operacional nas unidades de produção, segundo o instituto.
A importância da escolha de variedades
Fazer a correta escolha das variedades a serem plantadas de acordo com o ambiente de produção, considerando as condições de solo e clima da região, é fundamental, segundo o diretor do IAC.
O acerto nessa escolha impacta diretamente o aumento da população de colmos e da produtividade. “O padrão histórico de 60 mil a 70 mil colmos por hectare precisa evoluir para 90 mil a 130 mil”, assegura. Com esse avanço, a média dos cinco cortes deve superar 100 toneladas por hectare. “A expectativa é que em 2026 a produtividade na canavicultura seja semelhante à obtida no ano passado ou até um pouco superior”, comenta.
A qualidade da muda, somada ao potencial biológico da variedade e ao manejo que potencializa o ambiente, é determinante para alcançar elevadas produtividades.
A adoção dessas recomendações impacta diretamente a eficiência agroindustrial ao proporcionar ganhos consistentes de toneladas de cana por hectare (TCH), conforme aponta o IAC. Atualmente, cada hectare no estado de São Paulo produz em torno de 6.800 litros de etanol.
A meta é, em médio prazo, elevar esse resultado para 9 mil litros. “Para alcançar essa marca, recomendamos os manejos de época de plantio, de nutrição e de proteção com variedades de elevadas populações de colmo, associando ainda a utilização de irrigação em 15% das áreas de produção”, orienta Landell.
Essas e outras recomendações do Programa Cana IAC são divulgadas junto ao setor durante as diversas participações da equipe do IAC em eventos realizados em 11 estados do Brasil.
“O objetivo central do Programa Cana IAC é desenvolver pacotes tecnológicos que vão muito além da criação de novas variedades. Eles englobam estratégias integradas capazes de elevar a produtividade para patamares de três dígitos e mantê-la nesse nível”, comenta o pesquisador do IAC, da APTA e Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
IAC|Carla Gomes