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Além da assistência rural gratuita para produtores de antigos engenhos que viraram assentamentos agrários, a entidade canavieira também vem sorteando pluviômetros e orientado como instalar e utilizá-los para obter um melhor gerenciamento hídrico no plantio e desenvolvimento da safra, uma vez que a chuva interfere em todas as etapas da cultura canavieira

A cana-de-açúcar é a cultura agrícola mais tradicional de PE. É um dos principais produtos do PIB do Estado. Diferente do que se imagina, esta cadeia produtiva possui mais de 90% de seus agricultores em regime de economia familiar, elevando a distribuição de renda da população. A fim de apoiá-los tecnicamente a elevar a sua produtividade, o Departamento Técnico da Associação dos Fornecedores de Cana (AFCP) qualifica inclusive os agricultores de assentamentos rurais onde a cana é fonte de renda principal.

“Durante as nossas atividades nestas propriedades, além da análise do solo, orientações sobre as variedades de cana, uso de insumos e boas práticas para o incremento do canavial, começamos, desde o último mês no engenho Caetés (Ribeirão), a sortear pluviômetros para agricultores. Na semana passada foi no engenho Jaqueira em Palmares. Além dos produtores do local, havia outros dos engenhos Tombador e Ousado, sendo contemplados em nossa formação e sorteio”, fala Paulo Giovanni Tapety, diretor do Departamento Técnico e vice-presidente da AFCP.

Ricardo Moura, agrônomo da AFCP responsável por esta qualificação já há 13 anos, falou da importância da doação desses pluviômetros. Eles fornecem informações sobre a quantidade de chuva numa determinada região, indicando procedimentos a serem tomados no plantio, bem como nas aplicações de defensivos agrícolas, no crescimento da planta, entre outras, inclusive para a estimativa da safra.

O pluviômetro é importante para auxiliar na gestão hídrica do canavial. É utilizado em grandes propriedades canavieiras e por usinas. Ajuda no planejamento da safra. “Dada a relevância, além da doação do equipamento durante a nossa visita, também fazemos a qualificação dos agricultores familiares de como instalar e utilizá-lo, pois de certa forma sempre nos abastece em nossos retornos àquela propriedade, de subsídios técnicos para observações no decorrer do ano safra”, explica Ricardo

O especialista explica que uma boa safra precisa contar com 1,2 mil mm de chuva de forma regular durante o ano. Isso, porém, é historicamente raro devido ao padrão de irregularidade pluviométrica na Zona da Mata. Nos últimos 28 anos, por exemplo, um estudo da AFCP mostra que não chove isso nem irregularmente na mata norte, com 1.184 mm em média. Na mata sul, por sua vez, chove mais, com 1,654 mm em média, sendo que não de forma regular. Por isso a importância do seu monitoramento.

“Saber o quanto chove é indispensável para o plantio e a gestão do seu desenvolvimento. O pluviômetro faz justamente o mapeamento exato da chuva para tomada de decisão. Por isso a AFCP incentiva tal aporte tecnológico destes pequenos produtores”, frisa o engenheiro agrônomo Alexandre Andrade Lima, que é o presidente da entidade canavieira.

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