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Braskem cria tecnologia para fabricar garrafas PET a partir do açúcar

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Já imaginou as tradicionais garrafas  PET de refrigerantes sendo feitas a partir do açúcar, e não mais do petróleo? Pois a Braskem, a maior petroquímica das Américas , acaba de desenvolver tecnologia pra produzi-las a partir do açúcar bruto, como parte de sua política  de reduzir suas emissões de CO2. A novidade foi criada em parceira com a dinamarquesa Haldor Topsoe.

Gustavo Sergi, diretor de Químicos Renováveis e Especialidades da Braskem, explica que a viabilidade da nova tecnologia foi comprovada em uma unidade de demonstração em Lyngby,na Dinamarca. As companhias conseguiram produzir o MEG (monoetilenoglicol), matéria-prima do PET, usando açúcar extraído da cana-de-açúcar e dispensando o petróleo.

Segundo o executivo, o próximo passo será  planejar a construção de uma fábrica para o novo PET.  Sem revelar  investimentos, nem a capacidade, Sergi não descartou a possibilidade de a unidade ser construída no Brasil. Neste momento, as duas empresas estão justamente avaliando qual o melhor local para a fábrica, e seu tamanho.

“Conhecendo a tecnologia, eu conseguirei ver qual o melhor lugar para essa planta (a fábrica). Claro que ela tem chances de ser feita no Brasil, porque  o país  tem muito açúcar, e a Braskem está aqui. Nós temos avaliações para essa planta em diversos lugares do mundo, e com o refinamento  da tecnologia teremos condições de precisar o lugar em que  ela faz mais sentido”, afirmou Sergi.

Após o desenvolvimento  tecnológico e a fase de testes, que ocorreu anos últimos dois  anos, o MEG à base de açúcar está agora sendo avaliado pelos produtores de resinas PET para comprovar sua eficácia.

O executivo  não revelou o volume de produção na unidade de demonstração dinamarquesa, mas disse que ela está instalada em uma construção com altura equivalente a  um prédio de três andares, em uma área de 450 metros quadrados.

Hoje  o MEG é feito a partir de matérias-primas fósseis, como nafta do petróleo, gás ou carvão. “O fato e a gente conseguir produzir a partir do açúcar  o MEG, que vira PET e  vai servir todo o mercado global, está totalmente alinhado com nossa visão, nosso compromisso de carbono neutro até 2050”, disse Sergi.

A Braskem não produz o PET, mas o MEG — que é vendido  para terceiros produzirem. Os principais produtos da Braskem são resinas de  polietileno e polipropileno.

O MEG renovável não chega a ser biodegradável. Sergi ressalta que, assim como outros tipos de resinas, é importante descartar o material usado adequadamente, para que retorne à cadeia produtiva.

A Braskem, uma petroquímica que essencialmente utiliza a nafta do petróleo como matéria-prima para seus produtos, há dez anos iniciou projetos para desenvolver tecnologias para produção de matérias-primas renováveis.

A empresa tem em operação a maior unidade de biopolímeros do mundo, com uma fábrica de eteno verde e polietileno verde no Rio Grande do Sul, usando a cana-de-açúcar como matéria-prima. Essa fábrica  produz  200 mil toneladas de biopolímeros por ano.

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