Compartilhar

Duas das maiores empresas brasileiras e com faturamento anual combinado da ordem de centenas de bilhões de reais, Braskem e Cosan uniram forças para explorar oportunidades em produtos químicos de origem renovável, ou em um segmento mais amplo que começa a ser conhecido como de biorrenováveis, e em sustentabilidade, numa demonstração de que o ESG (do inglês environmental, social and corporate finance) pode ser encarado seriamente no país.

A ambição é extrair sinergias a partir de portfólios de negócio e expertises complementares, com iniciativas que vão além do foco comercial e passam pelo fomento à criação de um mercado regulado de carbono no país. Não há constituição de empresa ou joint venture neste momento – e ao que tudo indica, nem no futuro. O foco é unir forças e competências, e viabilizar o potencial do Brasil num mundo e em mercados que exigem posturas responsáveis em relação à sigla ESG, especialmente do setor privado, conforme demonstrado na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP26, dizem os presidentes de Braskem, Roberto Simões, e da Cosan, Luis Henrique Guimarães.

Companheiros no conselho do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) e líderes de grupos que já mantêm relações comerciais, os executivos contam que, além da afinidade pessoal, a percepção é que Cosan e Braskem têm propósitos e capacidade de mobilização convergentes e complementaridade das atividades levaram a conversas mais avançadas sobre química verde e outras iniciativas de sustentabilidade. A intenção, dizem, é alavancar a economia circular e neutralidade de carbono, incluindo a constituição de um mercado formal de carbono no país – a Cosan, via Raízen, experimenta o benefício desse tipo de iniciativa com o RenovaBio, que alavancou o setor de biocombustíveis.

“Os projetos podem ser implementados em conjunto, ou separadamente. Existe identidade de propósito e estratégia empresarial”, diz o presidente da Braskem. O exemplo mais evidente de cooperação, ao menos do ponto de vista comercial, vem justamente da natureza das operações da petroquímica e de empresas do grupo Cosan. Enquanto a Braskem tem experiência em processos químicos, e já é a maior produtora mundial de biopolímeros, com a produção de polietileno obtido a partir de cana-de-açúcar no país, a Cosan é profunda conhecedora e operadora no negócio de biomassa.

Um grupo de mais de 30 profissionais de Cosan e Braskem, dedicados a inovação e sustentabilidade, foi deslocado com o objetivo de mapear as oportunidades dessa parceria de amplo escopo e há prestação de contas sobre o avanço dos trabalhos. “É uma agenda de foco geral. Queremos desenvolver o país como potência verde e desenvolver uma agenda de inovação comercial e estrutural”, explica Guimarães, da Cosan.

Até agora, desde a conversa informal que teve início há cerca de três meses, mais de 20 iniciativas foram elencadas. Na cadeia do plástico verde, por exemplo, cada quilo de resina produzida evita a emissão de três quilos de CO2 – a Raízen já é fornecedora de etanol para a produção de polietileno verde pela petroquímica. Em cinco anos, a captura de carbono da relação comercial foi de 2,4 milhões de toneladas, equivalente à plantação de quase 17 milhões de árvores.

Em outra frente, a Rumo, controlada da Cosan, já está em conversas com a petroquímica para levar seus produtos ao destino via ferrovia. Já em coleta e reciclagem, a proposta é coletar copos plásticos que serão reciclados e transformados em lixeiras, doadas para escolas públicas. A primeira ação de coleta aconteceu nos dias 14 e 15 de novembro, durante a Maratona do Rio de Janeiro.

Cadastre-se em nossa newsletter