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Foi muito difícil e um tanto quanto demorado, mas as mulheres finalmente estão conquistando seu lugar na sociedade e no mercado de trabalho. E, assim como em outros setores da economia, o papel da mulher no setor sucroenergético tem se tornado cada vez mais relevante.

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O segmento, que durante muitos anos foi considerado um meio totalmente masculino, começa a apresentar mais e mais casos de mulheres que têm quebrado barreiras no setor.

Uma das maiores empresas de açúcar e etanol do país, a Biosev, tem se destacado também no quesito oportunidade às mulheres. Isso porque a empresa, com outras 18 companhias, assinou o termo de compromisso com os Princípios de Empoderamento das Mulheres, da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Pacto Global, em 2019.

O compromisso traz sete princípios que ajudam as empresas a incorporar valores e práticas, visando a equidade de gênero em seus negócios. Entre os principais, pode-se destacar:

  • O estabelecimento de uma liderança corporativa sensível ao tema;
  • O tratamento de mulheres e homens de forma justa, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não-discriminação.
Hoje, dos 8.389 funcionários da Biosev, 862 são mulheres, o que representa 9,32% dos colaboradores. Na área Agrícola são 316 mulheres, o que representa 36,66% dos colaboradores que atuam nesta área.
Na indústria são 221 mulheres. Elas representam 26,64% do quadro de colaboradores. E no departamento Administrativo, são 325 mulheres, 37,7% do quadro de funcionários que atuam nesta área.
Dos 1.014 pessoas em cargos de liderança da Biosev, 63 são mulheres, o que representa 6,21% do quadro de líderes da companhia.

Oportunidade na prática 

Uma das mulheres que revelam ter tido oportunidade de crescer na Biosev foi a técnica de laboratório Bruna Cristina, que trabalha na unidade de Lagoa da Prata, localizada na cidade do mesmo nome, em MG, há 11 anos. Ela conta que entrou na companhia aos 18 anos, assim que terminou seu curso de química.

Hoje, Bruna Cristina atua liderando a área de análise da matéria-prima até o produto final da empresa. Ela conta que se interessou em trabalhar na usina por conta de seu irmão que, naquela época, já trabalhava na empresa.

“Primeiro, eu consegui um estágio. Depois de duas tentativas, acabei sendo contratada”, revela ela. De acordo com Bruna, na primeira entrevista, ela acabou sendo recusada no cargo porque um gestor pensou que ela não daria conta do recado.

Todavia, passado um tempo, ela foi entrevistada por outro homem, que lhe deu a oportunidade. “Eu era muito pequenininha e o gestor da época achou que eu não daria conta do recado”, explica.

Promoção

Bruna conta que foi promovida durante sua gravidez, algo que não é comum de ser visto nas empresas. No começo, ela até pensou que haveria alguma resistência, mas, no fim das contas, ela recebeu foram os parabéns do gestor.

“Quase que ganhei filho na usina. Não tive dificuldade, me apoiaram. Fiquei surpresa com a Biosev porque, hoje em dia, falar que uma empresa promoverá uma gravida não é comum. Foi gratificante pelo reconhecimento”, conta orgulhosa.

Bruna Cristina trabalha na unidade de Lagoa da Prata, localizada na cidade do mesmo nome, em MG, há 11 anos. (Foto: reprodução)
Bruna Cristina trabalha na unidade de Lagoa da Prata, localizada na cidade do mesmo nome, em MG, há 11 anos. (Foto: reprodução)

Preconceito

De acordo com Bruna Cristina, no começo de sua trajetória, ela enxergava um certo preconceito por parte dos homens, o que não é mais identificado atualmente. “Tinha um preconceito sim”, relata.

“Vejo a mudança, pois antes a gente conseguia enxergar um preconceito, mas hoje em dia, como as mulheres estão muito envolvidas em todas as atividades, eu acredito que hoje não existe mais diferença, pois tanto mulheres e homens pode fazer as mesmas funções. ”

De acordo com ela, vários setores foram se desenvolvendo com o tempo quando o assunto é a participação do público feminino. “Na época que entrei a Biosev, por exemplo, não haviam mulheres trabalhando operando colhedora ou caminhões. Hoje eu já vejo mulheres tanto na parte agrícola quanto na parte industrial”, relata.

Assim como Bruna, Patricia Medeiros, Gestora de Planejamento, Controle e Manutenção (PC), é outra que está na Biosev há muito tempo: são 11 anos. Patrícia entrou na empresa aos 19, na área de planejamento como assistente administrativo e, na sequência, foi crescendo na empresa, sempre na área industrial.

De acordo com ela, o clima, se comparado com agora, é muito diferente. “A gente passou por várias mudanças tanto de estrutura como de pessoas. E aí você precisa se adaptar, ser um camaleão na empresa”, explica.

“Quando entrei, entrou eu e outra menina. Nessa época, éramos em três. Eu, a menina e mais uma líder. Depois disso, eu tive uma mulher como líder durante mais ou menos sete anos. No meu setor, sempre teve mulheres na equipe”, relata.

De acordo com ela, o preconceito pelo fato de ser mulher já existiu no passado e acontecia devido às pessoas acreditarem que ela, por ser do sexo feminino, não conseguiria dividir sua vida pessoal da profissional.

“Se eu falar que não tive preconceito por ser mulher, estarei mentindo. Tive algumas situações como, por exemplo, ouvir que minha vida pessoal poderia acabar me atrapalhando. Eles diziam: ‘Olha, você tem filho, tem casa, você não consegue desligar, não consegue virar uma chave’”, conta.

Para ela, as coisas mudaram e ver outras mulheres, assim como ela, conseguindo conquistar cargos de respeito na empresa, é inspirador. “Hoje, a gente tem uma superintende mulher e isso é motivo de orgulho para a gente. Temos uma supervisora de RH que é mulher e isso também é muito inspirador, pois você vê pessoas que estão em cargos de gestão e são inspirações para você seja em todos os sentidos”, relata.

Mais que uma empresa, uma escola

Tanto Bruna Cristina quanto Patrícia Medeiros são enfáticas quanto ao papel da Biosev em suas vidas. As duas citaram que a companhia foi e é uma espécie de escola para ambas. “Entrei aqui como uma menina e agora sou uma mulher. A empresa me formou. Todo dia aprendo coisa nova e ainda tenho muito que aprender. Espero continuar muito por aqui”, relata Bruna Cristina.

Assim como ela, Patrícia também usa a mesma característica para definir o papel da empresa em sua vida. “A Biosev é uma escola para mim. Ela me proporcionou muita coisa e me fez crescer. Reconheço isso porque tive não só a empresa, como também gestores que me ajudaram. O que faz a empresa são as pessoas. Tive pessoas aqui dentro que me ajudaram, pessoas que me ensinaram, que me explicaram como fazer”, começou.

Segundo Patrícia, ao entrar na companhia, ela era uma pessoa completamente diferente do que a que é hoje. “Entrei sem conhecer, sem ter noção nenhuma de como as coisas funcionavam e você tem que aprender, ao longo de anos, com várias pessoas, e de cada um você ir extraindo o melhor, anotando e crescendo”, diz ela, que encerra revelando que seu maior desejo para os próximos anos é evoluir, independente da função. “Quero ser melhor no que eu faço. Eu quero ser a melhor”, conclui.

Por: Alisson Henrique

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