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Industria do açúcar brasileiro espera concessões dos Estados Unidos

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A decisão do Governo Jair Bolsonaro de aumentar de 600 milhões para 750 milhões de litros o volume de etanol que pode entrar no Brasil sem taxação extra de 20% animou parte do setor sucroalcooleiro brasileiro.

Em entrevista ao jornal El País, dois especialistas e um representante de produtores rurais entendem que essa elevação representa uma sinalização de que o Brasil está disposto a ampliar o seu mercado e que espera uma reciprocidade do Governo Donald Trump com relação à taxação do açúcar.

Leia também: Preço do açúcar não remunera 75% das usinas

Brasil e Estados Unidos são os principais produtores de etanol do mundo. “Essa mudança não vai criar grandes distorções no mercado. Mas condicionar novas conversas a uma efetiva abertura do mercado americano de açúcar. Foi uma solução salomônica. Uma decisão extremamente firme e equilibrada”, afirmou o presidente da Unica (União das Indústrias de Cana de Açúcar), Evandro Gussi.

Açúcar: decisão do Governo de aumentar o volume de etanol que pode entrar no Brasil sem taxação extra de 20% animou parte do setor sucro brasileiro.

As razões

Hoje, cerca de 1,6 bilhão de litros de etanol norte-americano entram no Brasil. As indústrias brasileiras produzem cerca de 30 bilhões de litros ao ano. Quantidade que deixaria o país autossuficiente, já que o consumo é similar à produção. Por conseguinte, o uso de etanol de outros países não atinge 5% do que é consumido no país.

Todavia, a importação tem razões mercadológicas. Em determinadas regiões do país, como parte do Norte e do Nordeste, é mais barato usar o etanol importado do que o nacional. Isso acontece por conta da logística. “Diminui a rentabilidade dos produtores nacionais. Mas acredito que não há razão para o Brasil temer essa competição”, salientou o economista Edmar de Almeida, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “No fim, quem ganha é o consumidor”, completa.

Ex-presidente da Unica, o professor de agronegócio global do Insper Marcos Jank diz que não faz sentido proteger o etanol e ter tarifas tão baixas para o petróleo e a gasolina. “Se estamos buscando um ambiente mais saudável, com biocombustíveis, temos de reduzir o protecionismo do etanol”.

A contrapartida 

Vendo a decisão do Governo como positiva, Jank ressalta, porém, que é necessário ter um retorno dos americanos. “Espero que seja visto como um sinal para que os americanos compensem o Brasil em um futuro breve na questão do açúcar”.

Pelas contas da Unica, a tonelada do açúcar custa cerca de 266 dólares, mas a tarifa aplicada pelos Estados Unidos é de 339 dólares para cada tonelada que supere a cota anual definida pelo Governo. Por essa razão, o Brasil exporta apenas 150.000 toneladas do produto para o mercado norte-americano, que é o limite permitido sem a aplicação dessa tarifa.

Caso se concretize, há a possibilidade de o mercado para os brasileiros se ampliar. Ainda mais levando em conta que a produtividade da cana-de-açúcar, a matéria prima do etanol aqui, é quase cinco vezes maior do que a do milho, de onde os americanos extraem seu combustível. “Essa mudança no percentual traria uma demanda de cerca de 25 bilhões de litros a mais de etanol por ano. Duvido que o Trump vá mudar, realmente”, ponderou o professor Jank.

 

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