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Mercado de CBios já atrai investidores voluntários

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Os últimos quatro meses de experiência de negociação dos Créditos de Descarbonização (CBio) na B3 estão sendo observados com atenção por investidores que têm interesse de participação em mercados mais amplos de carbono. Embora a participação desses agentes nas negociações do papéis ainda seja marginal, a percepção no mercado financeiro é que a experiência pode atrair novos investidores e ainda impulsionar o desenho de novos mercados ´verdes´ voluntários.

Na avaliação de Carlos Salamonde, presidente do Fórum de Serviços Fiduciários da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), o CBio é um ativo ambiental, não financeiro, nem mobiliário. Assim, acrescenta, quem compra os papéis seria movido mais pelas preocupações ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) do que com um objetivo imediato de ganho financeiro.

“Na minha opinião, esse é um ativo que tem muito potencial para se desenvolver, na medida em que os investidores tomem mais contato com ele. Deve ganhar espaço e pegar tração futuramente até, por que não, como um ativo de mercado”, diz Salamonde. O mercado de CBios não é regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nem pelo Banco Central. Quem faz o papel de regulador hoje é o Ministério de Minas e Energia (MME).

Já há fundos multimercado que compraram CBios, além de investidores com metas ESG, segundo Luiz Masagão, diretor da Tesouraria do Santander. “Na nossa corretora, já vemos movimento de mercado secundário”, diz Boris Gancev, head da mesa de commodities do banco. O movimento, acrescenta, começou no início de outubro -no momento em que acelerou a valorização dos ativos.

Para Karine Bueno, superintendente executiva de Sustentabilidade do Santander Brasil, a experiência do RenovaBio oferece um modelo para a criação de um mercado de carbono voluntário, que está sendo discutido. “Temos uma perspectiva de desenvolvimento em dois a três ano” diz.

Um mercado voluntário atrairia empresas do exterior ou mesmo nacionais que já vêm divulgando compromissos voluntários de emissões neutras de carbono ou que participam de acordos regulados para reduzir emissões, afirma a executiva.

Para ela, o aumento do desmatamento e das queimadas no Brasil não deve afastar os investidores. “Pode ocorrer o contrário. Isso traz uma atenção para o tema. O setor privado vem tomando protagonismo nas questões ambientais como nunca tínhamos visto nos últimos anos”, defende.

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