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Por: Renato Cunha

O agronegócio brasileiro, estratégico para a nossa economia e com mais de 20% de participação no PIB, chegou à 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) exibindo um potente indicador de sustentabilidade. Até 2030, o segmento vai disseminar tecnologias de baixo carbono em mais de 72 milhões de hectares sem invadir um bioma sequer ou converter novas áreas para a atividade produtiva.

Essa expansão trará ganhos significativos de produtividade e, mais do que isso, mitigará o equivalente a 1 bilhão de toneladas de CO2 e equivalentes em emissões. Nesse cenário, destaca-se o papel que a cana-de-açúcar desempenha, hoje, e nos dias que virão, em prol do desenvolvimento sustentável do país.

Contribuindo com 10% do valor bruto total do agronegócio, a indústria sucroenergética, moderna e pujante, renova seu protagonismo na agenda ambiental do Brasil. A colaboração da cana no combate às mudanças climáticas faz-se mais necessária do que nunca para que o país reduza suas emissões de gases de efeito estufa (GEEs) e, consequentemente, cumpra as metas estabelecidas na COP26: cortar em 43% suas emissões de GEEs até 2025, e em 50% até 2030.

Nossos canaviais e usinas continuarão a fornecer, como fazem há mais de 40 anos, a matéria-prima do etanol, biocombustível mais limpo e representativo entre as energias renováveis existentes para a descarbonização veicular. E, mais do que isso, vão proporcionar mais segurança energética ao país com uma oferta maior de bioeletricidade, gerada por meio do aproveitamento da palha e do bagaço de cana, além do biogás e, sobretudo, do biometano. Este último gás adquiriu excepcional relevância na COP26. Sua produção ganhará ainda mais em escala após a inserção do Brasil em um grupo de 100 países que se comprometeram a reduzir em 30% a emissão mundial de metano (de origem fóssil) até 2030.

Embora sejamos o quinto maior emissor de metano do mundo, o Brasil terá, no setor sucroenergético, uma sólida base para a produção do biometano, alternativa renovável ao gás obtido a partir do petróleo. Isso porque os subprodutos da fabricação de açúcar e etanol, como vinhaça, palha da cana e torta de filtro, apresentam-se como as fontes mais promissoras para suprir futuras demandas por uma opção mais sustentável.

Com o DNA da sustentabilidade inserido na indústria canavieira, a nossa agricultura, orientada pelas diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e ações práticas do Parlamento, tem plenas condições de promover a tão almejada bioeconomia e vencer este desafio global.

Para assegurar essa transição energética no segmento agropecuário, uma das principais políticas públicas instituídas no País é o Plano Setorial de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária (ABC+) e o projeto de lei nº 528/2021. Este último, atualmente em análise na Câmara Federal, traz definições conceituais e de natureza jurídica a respeito do mercado de créditos de carbono. Trata de um tema prioritário da COP26 e de suma importância para todos os segmentos da indústria, não somente a agropecuária.

Estimulado pela produção de biocombustíveis capitaneada pela indústria sucroenergética, o Brasil possui dois programas-chave para alavancar o uso de energias sustentáveis nos transportes — na terra, no mar e no ar –, que se relacionam diretamente com o desenvolvimento do mercado de créditos de carbono.

Cabe mencionar com destaque o RenovaBio, iniciativa pioneira voltada para a melhoria da eficiência ambiental na produção de etanol e biodiesel. Ele se destaca pela emissão de certificados de Descarbonização (CBios), adquiridos na Bolsa B3 por empresas que precisam compensar suas emissões de GEEs.

Outro programa é o Combustível do Futuro, adotado em abril deste ano. Foi criado com o objetivo de reduzir as emissões de poluentes não somente no segmento veicular, mas também no marítimo e aéreo. Integrará o próprio RenovaBio e outros projetos sob um só guarda-chuva, dinamizando a tecnologia nacional para a produção do bioquerosene de aviação e do hidrogênio verde como combustível automotivo e industrial.

Assim como nosso vizinho na Zona da Mata nordestina — o mar –, a Revolução Verde tem muitas ondas. Iniciou-se no Brasil, em 1975, tendo o etanol como principal referência. De lá para cá, a agricultura nacional chegou à segunda onda, geradora dos sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta. Nela, saímos de um modelo de monocultura para um sistema multifocal da agropecuária, ou seja, a produção voltada não apenas para commodities, mas também para outras culturas e bioenergias.

Rumo às próximas ondas, incluindo a da agricultura 4.0, o Brasil poderá nadar de braçada. E o setor sucroenergético está pronto, como no passado e no presente, para surfar nas águas do futuro.

Por: Renato Cunha presidente da NovaBio e do Sindaçúcar-PE

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