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A Tereos Açúcar & Energia Brasil, subsidiária do grupo francês Tereos, avalia que enfrentará uma quebra de cerca de 10% na produtividade da cana-de-açúcar devido à seca, mas vê preços do açúcar mais do que compensando financeiramente o recuo na produção, e uma tendência de alta no mercado do adoçante devido aos problemas climáticos no Brasil.

O grupo, segundo maior produtor de açúcar do Brasil e do mundo, que fechou na quarta-feira a emissão de sua primeira debênture com “selo verde” de sustentabilidade no país, no valor de R$ 480 milhões, tradicionalmente destina grande parte da cana para fabricar o adoçante.

Mas os valores levantados com as debêntures serão aplicados no plantio e tratos culturais de cana-de-açúcar destinada à produção de etanol.

Investimentos em canaviais são fundamentais para lidar com problemas climáticos, como os registrados este ano, evitando perdas maiores de produtividade.

Mas nem o tradicional cuidado da Tereos evitou problemas para as lavouras em 2021/22, tamanha a severidade da seca desde o ano passado, que atingiu as áreas de suas sete usinas no noroeste de São Paulo, que processaram um total 20,9 milhões de toneladas de cana no ciclo passado.

“É significativo, infelizmente, a seca é muito importante, este ano tivemos que rever os números”, disse à Reuters o diretor-presidente da companhia no Brasil, Pierre Santoul.

Para ele, a quebra de safra de cana do Brasil “ainda não foi completamente precificada pelo mercado global”, e há espaço para as cotações do açúcar subirem mais.

Os preços do açúcar bruto negociados na bolsa ICE estavam nesta quinta-feira em cerca de 18,40 centavos de dólar por libra-peso, oscilando perto dos maiores níveis desde 2017 em gráfico contínuo.

O mercado, que já vinha sustentado por preocupações de oferta relacionadas à seca, subiu nos últimos dias por temores de perdas com as geadas no centro-sul brasileiro nesta semana.

Especialistas ainda avaliam o impacto das geadas nos canaviais.

Mas, no que diz respeito à seca, Santoul avalia que a alta de preços deverá compensar a quebra de produção de 10% esperada para o ciclo atual, até porque a companhia fixou vendas a valores 13% maiores do que na safra passada.

Na temporada passada, a produção de açúcar da companhia no país somou 1,8 milhão de toneladas, direcionando 62% da cana para a produção da commodity, majoritariamente exportada pela empresa (1,2 milhão de toneladas). Na safra atual, o “mix” está em 63%.

Conforme o diretor de tesouraria e novos negócios da Tereos, Felipe Mendes, a média de preços do açúcar com vendas fixadas pela empresa, em reais por tonelada, para a próxima safra (2022/23), já supera em 18% os patamares fixados para o ciclo vigente.

Foco no canavial

“A manutenção do canavial é a coisa mais importante, a maior parte do nosso Capex… Realmente, temos um foco muito importante nas boas práticas agrícolas e o uso das melhores variedades de cana”, disse o diretor-presidente da companhia no Brasil.

Graças aos investimentos em canaviais, a Tereos obteve produtividade de açúcar por tonelada de cana 10% acima da média do centro-sul, na safra passada.

Segundo o diretor de tesouraria, o valor levantado deve garantir três anos de investimentos em canaviais para a produção de etanol.

Os executivos afirmaram que a emissão das debêntures fechada na quarta-feira é a maior transação de mercados de capitais da Tereos no Brasil –com esta, a empresa já levantou cerca de R$ 1,5 bilhão em “financiamentos verdes” nos últimos 12 meses.

Em junho de 2020, a empresa disse ter realizado o primeiro financiamento sustentável do setor sucroenergético brasileiro, no valor de US$ 105 milhões, em operação atrelada a metas como a redução anual de emissões de gases de efeito estufa por tonelada de cana processada, redução no consumo de água por tonelada de cana processada; aumento anual da porcentagem de cana certificada.

Em março deste ano, a companhia emitiu aproximadamente R$ 350 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), em operação também caracterizada como “verde”.

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