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Reintrodução do pássaro Bicudo na RPPN Porto Cajueiro, no Norte de Minas, foi citada na edição 2021 da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), uma das principais organizações ligadas à sustentabilidade do mundo

O Projeto Bicudo, mantido pela Usina Coruripe em uma área de preservação em Minas Gerais, foi apresentado como case de sucesso em uma publicação de renome internacional ligada à sustentabilidade.

A edição “Global conservation translocation perspectives: 2021” (“Conservação global — perspectivas de translocação 2021”), da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), destacou a reintrodução do pássaro na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Porto Cajueiro, localizada no município de Januária, no Norte de Minas.

A IUCN é composta por organizações governamentais e da sociedade civil. Com cerca de 1.400 membros e a contribuição de aproximadamente 17 mil especialistas, a diversidade e a vasta experiência tornam a IUCN a autoridade global sobre o cenário atual do meio ambiente em todo o mundo e as medidas necessárias para protegê-lo.

A entidade apoia pesquisas científicas, administra projetos de campo e congrega governos, ONGs, agências das Nações Unidas, companhias e comunidades locais para que sejam desenvolvidas e implementadas leis e políticas públicas que estejam de acordo com a missão da instituição.

A publicação destacou o trabalho desenvolvido pela Usina Coruripe na reserva de Porto Cajueiro para preservação e reintrodução da espécie, de nome Sporophila maximiliani, conhecido popularmente como Bicudo.

Depois de décadas de caça ilegal, o pássaro —que se destaca na natureza pela sonoridade e potência do canto— esteve na relação de animais extintos em Minas Gerais e há quase 30 anos não era avistado na região.

Além disso, como consequência desse cativeiro ilícito, houve um declínio populacional rápido e desastroso, o que tornou o Bicudo uma das espécies de aves mais ameaçadas da América do Sul.

Em 2019, a própria IUCN classificou a espécie como “Ameaçada” (BirdLife International, 2019) e a Lista Vermelha do Brasil (MMA, 2018) indicou o status de “Criticamente Ameaçado”.

A estimativa é de que a população global do Bicudo seja de menos de mil indivíduos adultos e, no Brasil, esse número não deve chegar a 100 pássaros de vida livre. Em contrapartida, a população em cativeiro deve chegar, segundo a publicação, a 180 mil bicudos em gaiolas espalhadas em todo o país.

Depois de um amplo estudo, em 2018, em uma iniciativa inédita da Coruripe, foram reintroduzidos 12 pares de exemplares de bicudos na reserva com o objetivo de recuperar a população da espécie.

Além de soltura e monitoramento, estão sendo executadas ações com a comunidade para sensibilizar as pessoas em relação à importância da manutenção da biodiversidade na região.

Entre os principais indicadores de sucesso da iniciativa, segundo a publicação, destacam-se a rápida adaptação das aves ao ambiente natural e as múltiplas tentativas de reprodução poucos meses depois da soltura.

Além disso, de acordo com o monitoramento realizado, houve o aumento no número de indivíduos dispersos, ocupando e defendendo territórios, bem como a realização de voos de longa distância (maiores que 2km), atestando a eficácia do treinamento antes da soltura na natureza.

O gerente de Sustentabilidade da Usina Coruripe, Bertholdino Apolônio Teixeira Junior, destaca que o projeto nasceu do objetivo de cuidar da biodiversidade da RPPN e resgatar animais que estavam quase em extinção.

“O Bicudo possui um canto muito bonito e é fundamental que essa espécie se mantenha na natureza. Por isso, é muito gratificante ver que o nosso trabalho foi considerado um case de sucesso em uma publicação conceituada internacionalmente. Sem dúvida, apresentar essa iniciativa para todo o mundo demonstra que alguns de nossos principais legados, o desenvolvimento sustentável e a preservação ambiental, são fundamentais”, declara.

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