Quais foram os maiores desafios da safra 2019/20?

Reunimos especialistas para opinarem sobre os desafios da safra 2019/19. Confira: 

Natália Cherubin
Alisson Henrique

Quais foram os maiores desafios da safra 2019/20?
Paulo Roberto Artioli, produtor de cana e diretor da Tecnocana

PREVISÃO NEGATIVA, REALIDADE POSITIVA

“A safra 2019/20 está sendo melhor que a passada. Começamos o ano com uma visão bem mais pessimista do que está realmente nos mostrando. Isso porque tivemos um dezembro e janeiro com uma estiagem bastante forte, bem na época que fizemos as estimativas. Diante de toda a conjuntura, ficamos preocupados com a produtividade, mas como uma safra nunca é igual a outra, tivemos chuvas entre os meses de maio e abril. Isso fez com que o canavial, o qual já estávamos investindo em tecnologias para melhorar a produção, tivesse uma resposta muito melhor do que esperávamos. Tivemos um ATR maior do que no ano anterior e isso nos deixou mais animados com a safra atual em relação a passada. ”

Quais foram os maiores desafios da safra 2019/20?
Alexandre Figliolino, consultor da MB Agro

MERCADO DE ETANOL FOI DESTAQUE

“Sem dúvida a safra 2019/20 teve vários pontos positivos que a tornarão uma safra melhor que a anterior. Tivemos um março e abril bastante chuvosos nas principais regiões produtoras, o que causou um incremento sensível nos rendimentos agrícolas. Posteriormente tivemos um inverno seco, o que trouxe um aproveitamento de tempo das indústrias excepcional, além de um sensível incremento do ATR na cana a partir de agosto. Mas o melhor de tudo foi o mercado de etanol com demanda muito aquecida e preços remuneradores. Evidentemente a decepção foi o açúcar, que teve preços pouco remuneradores, no entanto, acreditamos numa virada deste mercado, que em breve obedecerá aos fundamentos que já apontam para um déficit de 7 milhões de t”.

Ricardo Junqueira, CEO da Diana Bioenergia

ÁREAS DE REFORMA

“A safra 2019/20 teve alguns desafios complicados, entre eles a volatilidade do dólar (US$), o clima com poucas chuvas e o preço do açúcar. No entanto, no caso da Diana Bioenergia, o principal desafio tem sido a grande quantidade de áreas de plantio (reforma e expansão) que temos feito. Nesse ano foram mais de 4.800 ha, em torno de 25% (1/4) de nossa área total, as quais tivemos de avaliar variedade, MPB, meiosi, equipamentos, pessoal e, principalmente, o clima e a logística. Mesmo assim, graças aos nossos colaboradores e muito trabalho, tem dado tudo certo! Esse ano foi bem melhor, muito mais fácil do que ano passado e creio que o próximo ano deva ser um pouco mais fácil do que 2019. Vamos dar um passo de cada vez. Estou bastante satisfeito com a consistência e melhora dos indicadores da Diana.”

Quais foram os maiores desafios da safra 2019/20?
Ismael Perina, produtor rural

CUSTOS E INCÊNDIOS 

“Citaria três ou quatro pontos que acho importantes da safra 2019/20. Tivemos que conviver com preços de insumos e diesel mais caros. Isso acaba impactando diretamente o nosso custo de produção, retirando uma parcela razoável das nossas margens. Além disso, os preços do açúcar no mercado internacional não reagiram, fazendo com que o preço da cana não tivesse remuneração compatível com seus custos. O ano agrícola foi bastante seco. Isso é importante para o desempenho da safra atual, mas prejudicial para a futura. Por consequência, este fato ocasionou um número muito maior de focos de incêndios, o que nos trouxe prejuízos vultuosos, principalmente em alguns casos isolados.”

RENOVABIO É O DESAFIO

“O maior desafio que se impõe para o setor é o RenovaBio, que implica em muitas novidades, muitas regulamentações e uma curva de aprendizado das usinas para conseguirem obter os Cbios. Isso está gerando uma forte busca por informações, por entendimento e pela própria definição da metodologia. A Bolsa vai ter que regulamentar esses títulos, que são os CBios, mas ainda não se sabe exatamente como será a definição de preços. A grande surpresa é quanto vai custar um CBio.”

Mario Campos, presidente da SIAMIG

BOA PERFORMANCE

“A safra foi melhor do que a anterior até o momento. Dentre os desafios, tivemos dois momentos realmente preocupantes. Primeiro foi em julho, quando tivemos geadas em algumas regiões produtoras, o que prejudicou o planejamento da colheita. Teve impacto com relação a cana que estava rebrotando e a que seria colhida em algumas regiões, principalmente de baixada. O segundo ponto foram os incêndios por toda a região produtora. Isso realmente causou um impacto muito grande em todo o planejamento e gestão, inclusive o risco associado a esses incêndios.

Outro o grande desafio foi conviver com o preço de açúcar de exportação muito baixo. Minas sempre foi um estado com vocação para exportação de açúcar, então conviver com esses preços baixos é algo realmente desafiante. Agora, quem conseguiu fazer expansão nas áreas e teve um aumento na capacidade de produção de etanol, conseguiu produzir mais combustível do que o ano passado, aproveitando os bons preços.”

Quais foram os maiores desafios da safra 2019/20?
Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica

BOA GESTÃO E ETANOL FORAM PONTOS POSITIVOS

“As variáveis que impactam são quase sempre as mesmas: clima, geadas, variáveis mercadológicas (preço do petróleo, do açúcar, câmbio, preços da gasolina) e os fatores regulatórios, tanto na área tributária quanto trabalhista. Uma coisa que mudou é que a gestão das empresas evoluiu muito. O resultado da safra foi acima da expectativa inicial com melhor produtividade, dado condições climáticas mais favoráveis e com as melhores práticas agrícolas, resultando em maior quantidade de açúcares por ha. Do ponto de vista agrícola, o veranico prolongado com muitos focos de incêndio em áreas colhidas e a colher demandou dispêndios para o setor. Níveis atuais de preços do açúcar já eram esperados pelo setor, então a oferta e a demanda de etanol foi o ponto positivo com um potencial de preços ao produtor e ao consumidor muito favoráveis.”

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