Compartilhar

O Santander prevê procura maior por crédito vinda de agricultores. A estimativa é de que a carteira de R$ 24 bilhões cresça de 25% a 30% em 2021, após avanço de 20% em 2020, diz Carlos Aguiar, diretor de Agronegócios. No horizonte, a firme demanda externa por grãos e carnes e o bom desempenho do agro, beneficiado pelo dólar forte.

Aguiar avalia que o resultado não ficará comprometido com o cancelamento de feiras agropecuárias presenciais, que permitiam contato direto com o público. Ele acredita que empréstimos a produtores (varejo) seguirão crescendo mais do que às empresas.

É que companhias têm quitado dívidas ou substituído crédito de curto prazo por prazos mais estendidos em emissões de títulos, IPOs e outros. “Para elas, há mais recursos baratos”, diz. A demanda de pessoas físicas deve crescer 30% ante 2020, e a das empresas, em torno de 12%.
Por fora

A partir de maio, o banco também ofertará crédito pela startup Gira, adquirida em 2020. Antes, a Gira fazia só análise de Cédulas de Produto Rural (CPR) apresentadas pelos agricultores para comprar insumos.

Com a startup, o Santander acessará produtores financiados por tradings e revendas, em vez de bancos, por não disporem de terra para dar como garantia ou já terem oferecido a propriedade em outro empréstimo. “Prevemos um crescimento bem grande de uma safra para outra. Não há limite de recursos”, afirma Aguiar.
Mais força

O executivo do Santander conta que o banco continuará abrindo lojas “agro”, especialmente no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, reforçando, também, equipes regionais. No Brasil são 15 redes comerciais ou regiões. “Teremos uma estrutura de agro para cada rede.”
Em alta

A Bayer espera em 2021/22 crescimento de 10% do barter, operação em que empresas vendem insumos a agricultores em troca da produção futura. Segundo Carlos Branduliz, gerente nacional dessas operações da divisão agrícola da empresa no Brasil, a soja continua sendo o “carro-chefe” por causa do crescimento de área e da escalada de preços. A oleaginosa representa cerca de 40% do negócio de barter da companhia. A Bayer vê potencial de incremento em algodão, milho e cana.
Juntos

Nesta safra, a empresa passa a oferecer operações de barter integradas com produtos da Monsanto e Bayer, de olho na volatilidade dos preços futuros e do câmbio, o que amplia o interesse pela ferramenta. “Vai fazer com que o produtor calibre seus custos”, diz Branduliz. Em 2020/21, um quarto das operações com defensivos feitas pela empresa no País ocorreu por meio de barter.
Frutos

Traz resultados à Votorantim Cimentos a estratégia de criar, em maio passado, uma marca exclusiva para insumos agrícolas, a Viter. Fechou o ano com vendas de 5 milhões de toneladas de calcário agrícola, corretivos e nutrientes para o solo, ante 4,3 milhões de t em 2019.

De onde vem?

A Amaggi vai usar parte dos US$ 750 milhões captados com a sua primeira emissão de títulos sustentáveis, concluída em janeiro, para ampliar a rastreabilidade na cadeia de soja. A empresa compra o grão de mais de 5 mil agricultores, além de ser ela própria uma produtora. A ideia é melhorar a plataforma Originar, desenvolvida com tecnologia geoespacial para mapear fazendas.

“O objetivo é aumentar a rastreabilidade, hoje em 98% da soja que compramos”, afirma Dante Pozzi, diretor financeiro-administrativo. O plano é também ampliar o volume produzido e originado com certificações de sustentabilidade como RTRS e Proterra.
Não sem críticas

O título sustentável da Amaggi foi alvo de questionamentos da Chain Reaction Research. A ONG com sede nos EUA diz que o sistema de implementação do compromisso de desmatamento zero da empresa é “insuficiente” para aliviar riscos e não cobre desmatamento legal.

A Amaggi diz estar comprometida com uma cadeia “livre de desmatamento”. Afirma que não compra soja de áreas desmatadas na Amazônia após 2008. No Cerrado, 99% da soja safra 2019/20 de municípios de maior risco era livre de desmatamento, diz. Em fazendas próprias, não tem desmatamento no mínimo desde 2008.
Astros a favor

A nova composição das mesas diretoras no Senado e na Câmara dos Deputados favorece o agro, diz uma fonte. Há chance real de emplacar neste semestre pautas caras ao setor, como defendeu o novo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Sérgio Souza (MDB-PR), em sua posse no último dia 4.

“Há uma conjunção de fatores muito boa que leva a crer que teremos espaço para pautar os projetos”, diz o interlocutor. Regularização fundiária, liberação de agroquímicos e revisão da legislação ligada à demarcação de terras indígenas serão os temas prioritários.
Linha de frente

Para a fonte, a FPA saiu fortalecida após o deputado Neri Geller (PP-MT) ter encabeçado uma articulação para eleger o deputado Arthur Lira (PP-AL) como novo presidente da Câmara. Formalmente, Souza e o ex-presidente da FPA Alceu Moreira (MDB-RS) apoiaram a candidatura de Baleia Rossi, também do MDB. A expectativa é de que Geller assuma a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara.

Cadastre-se em nossa newsletter