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A FS Agrisolutions, controlada pelo fundo americano Summit Agricultural Group, decidiu realizar a construção de sua terceira usina de etanol de milho no município de Primavera do Leste, em Mato Grosso, depois de paralisar o projeto que havia anunciado anteriormente em Nova Mutum, no mesmo Estado. O aporte agora deverá alcançar R$ 2,3 bilhões.

O valor já prevê a construção de duas fases da planta, diferentemente das duas usinas construídas até agora. Nas unidades de Lucas do Rio Verde e Sorriso, também em Mato Grosso, a FS construiu inicialmente a primeira fase de cada indústria, para depois duplicar suas capacidades em uma segunda etapa. Em Sorriso, houve ainda uma terceira fase de construção que foi entregue em fevereiro deste ano.

O plano anterior era investir R$ 1 bilhão para começar a erguer a primeira fase de uma usina em Nova Mutum. Mas a construção, anunciada em 2019, não foi para frente por causa do início da pandemia, que também postergou por seis meses a construção da terceira fase de investimento na planta de Sorriso. “Em função da situação da pandemia e a postergação [da expansão] de Sorriso, seguramos os investimentos na terceira unidade”, afirmou Rafael Abud, CEO da FS, ao Valor.

A pandemia acabou não afetando os resultados da FS na última safra, já que a companhia vem ampliando sua produção com a inauguração contínua de novas unidades. Com isso, a receita da companhia mais do que dobrou, para R$ 3,1 bilhões, e prejuízo na safra anterior foi revertido em lucro de R$ 321 milhões.

Trabalhos iniciados

A FS já iniciou os trabalhos de terraplanagem em Primavera do Leste e agora busca concluir financiamentos com bancos nacionais e estrangeiros para garantir recursos para o novo ciclo de expansão. Com os empréstimos praticamente garantidos e uma geração de caixa mais forte que o esperado nesta safra, a FS deixa de canto por ora o plano de abrir o capital, que tinha como intenção levantar recursos para o novo investimento.

Quando a nova unidade estiver pronta e operando, o que a FS espera que ocorra em junho de 2023, a companhia deverá se tornar uma das quatro maiores produtores de etanol do Brasil, atrás de Raízen e Atvos e próxima da produção da BP Bunge Bioenergia.

Garantia de grãos

A planta de Primavera do Leste terá capacidade para produzir 585 milhões de litros de etanol ao ano a partir da moagem de 1,3 milhão de toneladas de milho. Parte do grão que abastecerá a primeira safra já está sendo comprada. Com a unidade na ativa, a FS alcançará uma capacidade nominal de produção de pouco mais de 2 bilhões de litros por ano, volume que hoje consegue atender a mistura de etanol na gasolina por cerca de dois meses.

Segundo Abud, a vantagem de priorizar o investimento em Primavera do Leste é o acesso farto ao milho, além da proximidade com a ferrovia que a Rumo pretende construir em Mato Grosso, partindo de Rondonópolis.

Mas o investimento em Nova Mutum e nas demais áreas que a FS possui em Mato Grosso não foram descartados, e a companhia ainda pretende erguer a planta em Nova Mutum e mais duas usinas nos próximos anos, em Querência e Campo Novo do Parecis, onde já tem terrenos comprados.

Consumo crescente

Abud acredita que o crescimento do consumo de etanol esperado para os próximos anos será garantido pela oferta adicional de etanol de milho, que continua em expansão no Brasil. Para ele, as usinas de cana deverão ter safras mais açucareiras nos próximos anos para ofertar o açúcar que a Índia deverá deixar de produzir conforme avança o programa indiano de produção de etanol.

Enquanto ainda não concretiza a construção de novas unidades, a FS já começa a atuar no mercado de grãos nos locais onde pretende se instalar futuramente. Desde o ano passado, a companhia começou a comprar e vender grãos para se aproximar dos produtores. Neste ano, a companhia deverá movimentar 400 mil toneladas.

A FS também vem expandindo seu programa de apoio ao cultivo de biomassa para abastecer suas plantas térmicas de cogeração que fornecem energia para as usinas e para o mercado. Além de eucalipto, a companhia também passou a incentivar o plantio de bambu, que tem um ciclo mais curto de crescimento e consegue atender mais rapidamente sua demanda.

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