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As usinas sucroalcooleiras do Centro-Sul estão começando aos poucos a retomar a moagem de cana, mas com atraso em relação à temporada passada, segundo a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). A entidade estima que 50 empresas retomarão as atividades até o fim deste mês, número inferior às 87 do fim de março do ano passado.

De acordo com a Unica, até 1º de março, 15 usinas haviam entrado em operação. Dessas, sete processam apenas a cana, cinco processam apenas milho e três são flex (processam as duas matérias-primas). Na primeira metade deste mês, mais 17 empresas devem iniciar a moagem e, na segunda quinzena, outras 21 unidades iniciarão suas operações, segundo levantamento conduzido pela Unica e outras associações do Centro-Sul.

“Apesar desse atraso no início da safra 2021/22, o estoque mais elevado de etanol no início do março é suficiente para atender plenamente as vendas no mês”, afirmou Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica, em nota. “Para a primeira quinzena de abril, a nossa expectativa é de que outras 124 empresas iniciem a moagem, dando início efetivo à produção da safra 2021/22”, acrescentou.

Na segunda quinzena de fevereiro, foram processadas 669 mil toneladas, com a produção de 19 mil toneladas de açúcar e 115 milhões de litros de etanol. A produção quinzenal de etanol de milho totalizou 85,6 milhões de litros na segunda metade de fevereiro, sendo 74,4 milhões de litros de hidratado e 11,2 milhões de litros de anidro.

No acumulado da safra 2020/21, foram processadas 598,8 milhões de toneladas, e a Unica estima que a temporada terminará com uma moagem total de 605 milhões de toneladas. A produção de açúcar do início da safra até o fim de fevereiro alcançou 38,2 milhões de toneladas, e a de etanol, 29,8 bilhões de litros.

Vendas

Em fevereiro, sustentadas pela demanda externa, as vendas de etanol feitas pelas usinas do Centro-Sul voltaram a superar o volume de um ano atrás pelo segundo mês seguido. No mês, foram vendidos 2,5 bilhões de litros de etanol, aumento de 1,9% em relação a fevereiro de 2020, segundo a Unica.

As vendas ao mercado externo continuaram aquecidas e subiram 44,3%, para 174,2 milhões de litros. No mercado interno, as vendas de etanol hidratado somaram pouco mais de 1,5 bilhão de litros, praticamente em linha com o volume comercializado em fevereiro do ano passado (queda de 0,3%). Já as vendas de etanol anidro tiveram ligeiro recuo, de 0,6%, para 732,6 milhões de litros.

O diretor técnico Antonio de Padua Rodrigues afirmou em nota que a segunda quinzena foi de redução das vendas, após uma primeira quinzena com comercialização mais firme. “Mesmo com um maior número de dias úteis em função do cancelamento do Carnaval, as vendas domésticas de etanol continuaram aquém do ritmo verificado em fevereiro de 2020, antes do início da pandemia de covid-19”, disse. “Vale lembrar que na primeira quinzena de fevereiro registramos um aumento de 5,8% nas vendas de etanol no mercado doméstico. Esse aumento na demanda foi anulado por uma queda de 7,27% na segunda quinzena, o que fez o mês fechar com recuo de 0,39%, em um movimento natural de mercado”, complementou.

Ainda segundo o diretor, os estoques de etanol continuavam maiores do que um ano antes em 1º de março, suficientes para o abastecimento da demanda deste mês. “Em relação às vendas de fevereiro, o estoque de anidro nas usinas no início de março representava cerca de dois meses de consumo. No caso do hidratado, a proporção era equivalente a 1,25 mês de vendas. Os valores estão dentro do necessário para o abastecimento no último mês de entressafra”, disse.

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