Home Sem categoria Após sobretaxar o Brasil, China poderá ampliar as compras de açúcar da Índia
Sem categoria

Após sobretaxar o Brasil, China poderá ampliar as compras de açúcar da Índia

Compartilhar

Um plano da China de comprar açúcar da Índia, depois de ter restringido a entrada do produto brasileiro sob pretexto de defender a cadeia local, poderá, se for efetivado, ser interpretado como uma afronta de Pequim a Brasília. Diplomaticamente delicado, o contexto envolve três dos quatro sócios do Brics, apenas a Rússia está fora, e tende a ter impacto no mercado mundial da commodity.

O Brasil recentemente denunciou a China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em consequência de barreiras ao açúcar, e avalia se adota o mesmo procedimento contra a India em razão de subsídios ilegais concedidos por Nova Déli. No caso chinês, o problema é que no ano passado Pequim impôs salvaguarda por três anos na importação de açucar, sob a alegação de que precisava proteger seus produtores diante do crescente incremento das importações.

A salvaguarda chinesa inclui uma sobretaxa a volumes que ultrapassem a cota de 1,945 milhão de toneladas. Para os primeiros 12 meses, a tarifa foi fixada em 95%, e deverá diminuir para 90% no segundo ano e para 85% no terceiro – mas há o risco de a medida ser estendida por mais três anos. Até a salvaguarda, a tarifa de importação fora da cota era de 50%.

Até então, o Brasil, o país mais prejudicado pela restrição, era o principal exportador de açúcar para a China. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), na safra 2016/2017 os chineses compraram mais de 2,1 milhões de toneladas de açúcar brasileiro. em 2017/18, já com a salvaguarda em vigor, as compras degringolaram e somaram apenas 115 mil toneladas, em meio à desconfiança de que o contrabando cresceu.

No próximo mês de dezembro, Brasil e China terão consultas no âmbito da OMC, primeira etapa depois que Brasília acionou o mecanismo de disputa contra os chineses alegando que as investigações sobre as importações violaram regras internacionais e que a restrição do país asiático não poderia ter sido aplicada.

Mas a dimensão do contencioso poderá crescer com o anúncio, pelo Ministério do Comércio da India, de que o país fez um pré-acordo com a China para vender açúcar. Foi fechado inicialmente um contrato para 50 mil toneladas, mas o plano, segundo o ministério, é que o volume alcance 2 milhões de toneladas por ano, ou seja, acima da cota imposta por Pequim. Conforme o jornal “The Hindu” uma fonte do governo indiano disse que o acordo foi negociado no “mais alto nível”.

Quando o primeiro-ministro Narenda Modi se encontrou com o presidente chinês Xi Jinping, em abril, eles já teriam se comprometido com a transação. O jornal cita o Ministério do Comércio, segundo o qual o aumento da exportação indiana de açúcar à China seria uma forma de a Índia diminuir um deficit de dezenas de bilhões de dólares no comércio bilateral.

A Austrália, um dos maiores produtores mundiais de açucar, deflagrou um sinal de alerta nesta terça-feira no Comitê de Agricultura da OMC, citando as notícias publicadas na imprensa sobre o acordo China-Índia e destacando seu impacto no mercado. Fontes chinesas, até agora, têm se mostrado menos firmes sobre o volume de 2 milhões de toneladas sinalizado por autoridades indianas. Até porque o estoque chinês de açúcar é grande, da ordem de 7 milhões de toneladas. A delegação indiana não respondeu à observação australiana.

Para o Brasil, maior exportador mundial, com 53,8% do mercado, o desafio vem, agora, dos dois sócios do Brics. Um documento australiano apresentado ontem na OMC calcula que, somente na safra 2016/17, a Índia forneceu US$ 1,1 bilhão de subvenções para os produtores de açúcar além do limite fixado pelos acordos internacionais. Como país em desenvolvimento, a Índia pode conceder subsídios equivalentes a até 10% do valor da produção. Ocorre, segundo a Austrália, que nos últimos seis anos Nova Déli liberou subsídios que representaram 94,4% do valor da produção.

A delegação indiana desqualificou os cálculos da Austrália e insistiu que o governo do país não concede subsídios ilegais a seus produtores. A Índia é o segundo maior país produtor e o quinto exportador de açucar do mundo, e a dinâmica do mercado de açucar do país tem consequências importantes no cenário internacional.

Na reunião de ontem do Comitê de Agricultura da OMC, esse foi o tema que mais provocou debate. Austrália, Brasil, Estados Unidos, União Europeia (representando 27 países), Tailândia, Nova Zelândia, Paraguai, El Salvador, Guatemala, Ucrânia e Colômbia se manifestaram contra os indianos. A Índia, por sua vez, reclamou que os EUA, em meio à guerra comercial com a China, aumentaram suas próprias subvenções específicas para ao açúcar. Brasil e Austrália aceleram as articulações para uma denúncia contra a Índia. Mas, segundo fontes, em Brasília a decisão não está tomada. (Valor Econômico)

Compartilhar

Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Renovabio
Sem categoria

MME abre consulta pública sobre metas de descarbonização do RenovaBio para 2026-2035

O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu nesta quinta-feira (11) a...

MercadoSem categoria

Conab mantém projeção de recorde de produção de grãos em 2024/25

Companhia estima colheita de 322,4 milhões de toneladas, volume 8,2% maior do...

AgrícolaSem categoriaÚltimas Notícias

Monitoramento de produtividade de cana-de-açúcar com o uso do NDVI

A cana-de-açúcar é uma das principais culturas agrícolas do Brasil e de...

Sem categoria

Cbios: Governo pretende transferir regulação de títulos

A responsabilidade sobre a regulação financeira dos Cbios (Créditos de Descarbonização) poderá...