Executivo – Produtor empresário

Daine Anderlei Frangiosi

Idade – 42 anos

Naturalidade – Jaborandi, SP

Estado civil – Casado e tem dois filhos

Formação – Zootecnia pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Jaboticabal; MBA em Administração de Agronegócios na Uniube (Universidade de Uberaba) e pós-graduação em Gestão Econômica

Agrícola na Fundação Dom Cabral

Cargo – Produtor Rural

Hobby – Viajar

Filosofia de vida

Estar sempre em paz e harmonia com as pessoas a sua volta, sejam família, amigos ou colegas de trabalho  

Alisson Henrique

A grande maioria dos produtores que hoje tocam a atividade canavieira tiveram em suas famílias pessoas que os inspirassem não só a dar continuidade aos negócios por tradição, mas também pela paixão dedicada a atividade. Para se ter uma ideia, aproximadamente 40% dos produtores do agronegócio brasileiro têm seus familiares em atividade no negócio há, pelo menos, 30 anos. Esses dados fazem parte de um estudo conduzido pela OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras).

Assim como tantos outros, foi exatamente assim que o Daine Anderlei Frangiosi, produtor de cana da região de Campo Florido, MG, deu início a sua trajetória profissional. “Minha história e minha vida sempre esteve ligada a atividade agrícola porque a trajetória de vida dos meus pais sempre esteve associada ao meio rural. Eles começaram como trabalhadores agrícolas até se tornarem empresários.”

Hoje, com 42 anos, formado em Zootecnia na Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) de Jaboticabal e pós-graduado em Gestão Econômica Agrícola pela Uniube (Universidade de Uberaba), Frangiosi conta que até nos tempos de escola, quando pequeno, vivia no campo. “Eu conciliava meu tempo de escola com as idas ao campo. Sempre quis estar presente e a par do que estava acontecendo.”

No ano de 2000, após terminar a faculdade, ele pode, enfim, se dedicar totalmente a agricultura. “Nessa época a produção era voltada para o cultivo de cereais – soja, milho e sorgo. Nosso despertar para a cultura da cana começou depois que a Usina Coruripe, unidade Campo Florido, MG, começou suas operações em 2000. Após a terceira safra da usina, em 2002, e após algumas reuniões, vimos que tínhamos condições convidativas e decidimos ingressar no setor canavieiro”, explica.

Logo na safra de 2003/04 a fazenda, também localizada no município de Campo Florido, começou com uma produção de 37 mil t, com 112,45 de TCH e mais 134 de ATR. “Saltamos de um plantio de 330 ha naquela época para 4 mil ha atualmente”, conta orgulhoso.

NA GESTÃO DA FAZENDA

Frangiosi assumiu o controle geral da fazenda na safra 2011/12, momento em que houve uma queda na produtividade da lavoura. Uma das causas era a migração da colheita manual para colheita mecanizada. “Além de não termos variedades adaptadas a colheita mecanizada, tivemos aumento de pragas e doenças. Como nossa empresa não tinha um planejamento para essa mudança, o maior desafio que tive quando assumi a gerência de produção, foi planejar a retomada do crescimento da produtividade dos canaviais.”

E assim ele o fez. Fornecendo cana para a Usina Coruripe desde 2003, Frangiosi revela que na última safra (2017/18) a produção chegou a pouco mais de 371 mil t de cana em uma área de 3200 ha de área formada e 800 ha de reforma. “Nessa safra esperamos chegar em torno de 340 mil t [3200 ha de área formada e 800 ha reforma].

Frangiosi: “Hoje não é mais aceito quem se denomina apenas por produtor/fornecedor de cana. Hoje quem fica e quem continua é o empresário de cana, conhecedor do seu negócio, que entende e tem uma ótima gestão de todos os seus processos”

Calculamos uma queda de produtividade em torno de 8% devido ao longo período sem chuvas da safra passada. ”

Muito tem se falado que os preços praticados atualmente seriam um dos maiores desafios para os produtores e ele explica que a expectativa da fazenda é ter uma safra que começa em torno de R$ 0,59/kg de ATR podendo chegar a R$ 0,63/kg de ATR. “A vida do produtor é plantar sem saber ao certo por quanto vai vender. A única coisa que a gente tem certeza é das especulações do mercado que, no caso, não são certezas e sim incertezas. O desafio maior tem sido buscar a produtividade, mesmo com o aumento dos nossos custos de produção”, afirma.

Embora os preços atuais dessa safra não sejam convidativos para investimentos, o executivo conta que a fazenda tem feito alguns investimentos focando o aumento de produtividade. “Analisando os custos da safra de modo geral, para esse valor de ATR praticado em torno dos R$ 0,59/kg a receita só vai gerar margem positiva com produção a partir dos três dígitos. Portanto, sem investimento não conseguimos atingir essa tão sonhada produção de TCH. Fizemos renovação do canavial e apostamos em um pacote tecnológico para melhorar qualidade da cana-de-açúcar”, adiciona.

O FUTURO

O produtor enxerga o mercado cada dia mais complicado para os produtores, isto porque, segundo ele, está cada vez mais seletivo. “Ano após ano, o mercado tem selecionado os produtores que são mais eficientes. Hoje não é mais aceito quem se denomina apenas por produtor/fornecedor de cana. Hoje quem fica e quem continua é o empresário de cana, conhecedor do seu negócio, que entende e tem uma ótima gestão de todos os seus processos. O desafio do produtor hoje é se tornar empresário.”

Muito satisfeito com a produção de cana-de-açúcar, a fazenda de Frangiosi faz plantio de soja apenas no momento de reforma de seus canaviais. “No momento não pensamos em expandir para outras atividades. O foco principal é aumentar a produtividade sem expansão. Queremos crescer verticalmente. Já atingimos o objetivo que era chegar as 15 t de açúcar por ha, agora a meta é chegar a 20 t de açúcar por ha. O maior desafio é crescer em produtividade sem expandir área. O nosso objetivo é sermos cada vez mais competitivos e diluir nossos custos. ”

O DIA A DIA DO EXECUTIVO

Para ter uma rotina bem organizada e produtiva, a gestão de pessoas é fundamental para o sucesso do negócio. “Procuramos prezar a boa gestão das pessoas que trabalham na operação. É muito importante estar aberto para ouvi-las e também para faze-las pensar. Acredito que essa interação permite ter maior comprometimento da minha equipe de trabalho e, consequentemente, resultados muito melhores.”

Frangiosi revela que também dedica uma boa parte do seu tempo aos campos experimentais de pesquisa da fazenda, que são mantidos com o objetivo de buscar inovação e eficiência aos processos tecnológicos, sempre com foco em aumento de produtividade.

Ao lado da esposa e de seus dois filhos em viagem

Viver bem com que está ao seu lado. Essa é a filosofia de vida de Frangiosi. “Procuro estar em paz e harmonia com as pessoas a minha volta, sejam família, amigos ou colegas de trabalho. Acredito que estar em harmonia com quem está mais próximo da gente faz com que todo o resto se torne muito mais fácil.”

Casado, pai de um garoto de 17 anos e uma garota de 13 anos, e apaixonado por viagens, Frangiosi diz que procura sempre estar ao lado da família em suas aventuras de férias, no entanto, confessa que sempre está à procura de conhecer novas fronteiras agrícolas. “Locais que já fui para conhecer novas práticas agrícolas foram os Estados Unidos, países da América do Sul e países da Europa. Mas confesso: sempre que posso, viajo para os Estados Unidos para buscar e aprender novos conhecimentos em tecnologia de inovação. Tenho muita vontade de conhecer a China! ”

O jovem empresário da cana revela que um dos maiores aprendizados até o momento foi desenvolver sua capacidade de planejar e estar preparado para as mudanças. “Aprendi que é importante sempre dar um passo de cada vez. Com determinação, porém, com cautela. No lado pessoal, aprendi a dar ainda mais valor a confiança, honestidade e humildade. Acredito que devemos estar sempre aptos para aceitar os erros”, finaliza.