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A Fitch Ratings atribuiu o Rating Nacional de Longo Prazo ‘AAA(bra)’ à proposta de terceira emissão de debêntures simples, sem garantia real, da Cosan S.A, no valor de R$ 2 bilhões, em até três séries e com vencimento final em 2031.

Os recursos da proposta de emissão serão utilizados para o pagamento antecipado de dívida da Cosan. A Fitch classifica a Cosan com os IDRs (Issuer Default Ratings – Ratings de Inadimplência do Emissor) em Moedas Estrangeira e Local ‘BB’ e ‘BB+’, respectivamente, e com o Rating Nacional de Longo Prazo ‘AAA(bra)’.

A Perspectiva do IDR em Moeda Local e do Rating Nacional de Longo Prazo corporativo é Estável, enquanto a do IDR em Moeda Estrangeira é Negativa, refletindo a Perspectiva Negativa do rating soberano do Brasil.

Os ratings da Cosan se apoiam em sua forte e diversificada carteira de ativos, que abrange negócios de distribuição de gás natural, açúcar e etanol, venda de combustíveis e lubrificantes, além de operações ferroviárias, bem como na expectativa de fluxo de dividendos crescente e consistente nos próximos anos.

De acordo com a Fitch, os ratings também incorporam a forte liquidez da Cosan e a estimativa de aumento temporário da alavancagem em 2021, devido à reorganização societária do grupo. Pelas projeções da Fitch, este índice deve se reduzir a partir de 2022, à medida que o recebimento de dividendos aumente.

Principais fundamentos do Rating

A Cosan tem uma robusta carteira de ativos. Os quatro principais ativos e fontes de dividendos da Cosan são empresas com forte qualidade de crédito. De acordo com a Fitch, seu modelo de negócios se fortaleceu com a aquisição da participação direta na Rumo, apesar de a distribuição de dividendos não ser esperada antes de 2023.

“Os ratings da Rumo incorporam sua sólida posição de negócios como uma das maiores operadoras de ferrovias do Brasil, com rentabilidade operacional relativamente alta e geração de fluxo de caixa estável e robusta. Os fundamentos do setor são fortes e se favorecem da demanda estável ao longo dos ciclos, auxliando na diversificação dos negócios da Cosan”, afirma a Fitch Ratings.

No setor de açúcar e etanol, a Raízen Energia, que integra o grupo Cosan, é a principal produtora global, com participação estimada de 15% nos volumes moídos de cana-de-açúcar do Brasil, após conclusão da aquisição da Biosev.

A Raízen Combustíveis é a segunda maior distribuidora de combustíveis do Brasil, com 20% de participação de mercado. A Raízen é uma joint venture  e representa um importante investimento para seus acionistas, Cosan e Royal Dutch Shell.

A Companhia de Gás de São Paulo é a maior distribuidora de gás natural do Brasil em termos de volume faturado e atua em um setor com alto potencial de crescimento. Os ratings refletem o risco baixo a moderado do negócio de distribuição de gás natural no país e o perfil financeiro historicamente robusto da Comgás, com relevante fluxo de caixa das operações (CFFO) e perspectivas de crescimento favoráveis.

Aumento Temporário da Alavancagem

A Fitch acredita que o aumento da dívida líquida da Cosan após a adição das dívidas da Cosan Limited e da Cosan Logística (Cosan Log) – que foram incorporadas à Cosan – será temporário, uma vez que a Raízen retome o robusto pagamento de dividendos em 2021.

A expectativa é de que o índice dívida líquida/EBITDA, mais dividendos recebidos, da Cosan aumente para 3,5 vezes em 2021 e diminua para 2,5 vezes em 2022 e para 1,6 vez em 2023, à medida que o recebimento de dividendos aumente para R$ 2,1 bilhões e R$ 2,5 bilhões em 2021 e 2022, respectivamente.

Em 31 de março de 2021, este índice era de 8,5 vezes, tendo em vista que os dividendos de R$ 1,1 bilhão recebidos pela Cosan no período estiveram limitados aos pagamentos feitos pela Comgás.

Também em março deste ano, a dívida da Cosan no âmbito da holding, de R$ 11,5 bilhões, consistia em empréstimos intercompanhias de BRL7,9 bilhões, correspondentes a emissões de títulos pelas subsidiárias integrais da empresa, notas sem garantia de R$ 4,2 bilhões com vencimento em 2029, incorporadas da extinta Cosan Limited, e debêntures de R$ 1,7 bilhão.

A Fitch também incluiu saldos de derivativos cambiais líquidos, de R$ 2,9 bilhões, na dívida da Cosan.

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