Fórum – O que o setor sucroenergético espera do novo presidente do Brasil?

Alisson Henrique

Natália Cherubin

POLÍTICAS PARA OS BIOCOMBUSTÍVEIS

“O que se espera de um país onde o agronegócio representa mais de 30% do PIB, em um país que tem compromisso ambiental assumido na Europa e que tem o etanol, um combustível limpo e renovável? O que se espera é uma política voltada não só para o agronegócio, mas que também incentive o uso de combustíveis renováveis, seja o etanol ou biodiesel. Outro ponto é que hoje existem muitas usinas para o mercado de açúcar, então há uma sobrecarga de açúcar no mercado internacional, o que faz com que os preços caiam muito, causando desequilíbrio. Acredito que o setor não é organizado na questão de açúcar, mas ele pode se organizar na produção de etanol. Esperamos que o governo desenvolva uma linha voltada a isso. Não é pedir subsídio, mas uma política que pense em sustentabilidade econômica e ambiental. O RenovaBio é um dos itens que devem ser olhados com atenção.”

Luiz Carlos Dalben, produtor e diretor da Agrícola Rio Claro

ATENÇÃO AO AGRONEGÓCIO

“Esperamos que o novo governo nos dê maiores condições de planejar, executar e nos dê maior segurança de que nosso produto tenha liquidez, mas com margem, pois atualmente estamos completamente sem margem para trabalhar. Através de políticas públicas bem definidas, poderemos planejar e colher frutos. Atualmente somos pop, somos o setor que mais emprega e com balança comercial positiva, mas isto tudo sem o mínimo apoio por parte dos governantes. O futuro presidente tem que nos dar mais valor e ouvir as necessidades do agronegócio porque somos o celeiro mundial da alimentação. Muito além disso, espero que o próximo presidente tenha mais seriedade e que acabe com a era da corrupção.”

Paulo Roberto Artioli, produtor de cana e diretor da Tecnocana

MEXER NO JUDICIÁRIO

“Espero que tenha serenidade e firmeza para conduzir o país nos trilhos do desenvolvimento. O país está tão desarrumado que a dificuldade vai ser grande. Espero que tenha força suficiente para mexer principalmente no judiciário, aliado, é claro, com o congresso. Do jeito que está, com juízes altamente descompromissados com a causa brasileira, interpretando a lei do seu jeito (leia-se interesses), dificilmente evoluiremos. O STF é o maior promotor da insegurança jurídica. Outro ponto importante é atacar definitivamente o imbróglio dos gastos públicos, revendo urgentemente também estabilidade de emprego no funcionalismo público.”

Ismael Perina Junior, produtor de cana

REGULAMENTAR RENOVABIO

“Pelo atual andar da carruagem do nosso setor, acredito que o único grande pedido que temos para o novo ou nova presidente é que trabalhe para finalizar a regulamentação e implantação do RenovaBio. Além disso, que não gere e nem crie mais dificuldades para um setor que já tem sofrido bastante nos últimos sete anos.”

Ricardo Pinto, sócio-diretor da RPA Consultoria

POLÍTICAS PÚBLICAS

“Esperamos que o novo governo viabilize o RenovaBio e outras políticas públicas para dar previsibilidade aos investimentos necessários para o setor.”

Manoel Ortolan, presidente-executivo da Copercana

EMPREENDEDORISMO E ÉTICA

“O setor precisa de um presidente que tenha duas características básicas: empreendedorismo e ética. O empreendedorismo é necessário para dar mais liberdade ao setor privado para crescer e gerar renda, diminuindo o peso da estrutura estatal. Na questão da ética, o presidente precisa ser uma pessoa que vá a vida pública para servir à sociedade e não para se servir da sociedade, focando no combate total a corrupção que se alastrou no aparelho estatal.”

Marcos Fava Neves, professor da FEA/USP

HONESTIDADE E VISÃO MACRO

“Olhando apenas para o setor sucroenergético, queremos um presidente que mantenha a política de preços da Petrobras e que apoie o RenovaBio. Entretanto, o setor não está olhando apenas para si mesmo. Assim como todo o Brasil, o setor também quer um presidente íntegro, honesto, com uma visão macro e que recoloque o Brasil na dianteira, trazendo crescimento sustentável, fazendo as reformas necessárias, acabando de uma vez por todas os privilégios da classe política, enfim, que mude a visão que hoje a grande maioria dos brasileiros e inclusive estrangeiros tem da classe política brasileira.”

Leonardo de Freita Perossi, gerente Administrivo-financeiro da Diana Bioenergia