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A Jalles Machado, que possui duas usinas sucroalcooleiras em Goiás, continua com o objetivo de realizar a compra de uma terceira usina de cana até o fim desta safra (2021/22) – que termina em março -, conforme prometido aos investidores na época de seu IPO, em fevereiro.

Em teleconferência com analistas sobre os resultados do 1º trimestre, Rodrigo Penna de Siqueira, diretor financeiro da companhia, disse que a companhia vem avançando no plano. “Acreditamos que faz sentido para aumentar a escala e trazer mais retorno aos acionistas”, disse.

Ele observou, porém, que “se [o acordo] não for interessante, não somos obrigados a avançar”, e que a empresa também tem a opção de crescer de outras formas. Uma delas é um investimento em uma planta de biogás anexa à Usina Jalles Machado (UJM), que vem sendo cogitado há anos, e que pode ser decidido no ano que vem.

A ideia, se concretizada, é focar a conversão de biogás em biometano para substituir o diesel usado na própria frota agrícola e nos equipamentos de irrigação. A produção projetada superaria a demanda própria, e o excedente seria vendido, disse Siqueira.

Atualmente, o projeto é orçado em R$ 120 milhões, mas a empreitada, se confirmada, de ve ser feita em parceria, como já ocorre na planta de cogeração de energia, em sociedade com a francesa Albioma.

Cenário positivo

O diretor financeiro disse que vê um cenário positivo tanto para os preços do açúcar como do petróleo, que influenciam nos valores do etanol no mercado interno. “Tudo o que vimos até agora aponta para um bom ciclo de preços [do açúcar], e longo”. Siqueira ressaltou que as casas de análise já estão prevendo déficit de oferta tanto na safra internacional atual (que termina em setembro) como na próxima.

Ele não acredita que o Brasil vá recuperar sua produção na próxima safra local, já que a seca que se estende desde o ano passado afetou os canaviais e deve dificultar que a moagem volte às 600 milhões de toneladas registrados na temporada passada. “É muito improvável”, avaliou.

O único fator negativo no cenário é a falta de contêineres e os altos custos de frete marítimo, mas o problema deve incidir apenas no curto prazo. Ele acredita que a falta de contêineres, já afetou os embarques de açúcar orgânico da empresa para os Estados Unidos no último trimestre, deve se prolongar até setembro. Além disso, os fretes marítimos aumentaram cerca de cinco vezes, o que deve impactar os resultados do açúcar orgânico, mas ainda assim deve ser uma “questão pontual”, disse.

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