Compartilhar

Além da pressão negativa trazida pelo período de seca ao longo de 2020 e as consequências dos incêndios sobre os canaviais (tais como, dificuldade de brotação das socas e aumento das falhas nos canaviais), outros dois fatores também contribuirão para uma redução do volume total de cana processada na safra 2021/2022, que pode impactar os custos de produção das usinas: redução da área total cultivada de cana e o envelhecimento dos canaviais.

De acordo com Haroldo Torres, economista e gerente de Projetos do Pecege, a redução de área total cultivada com cana-de-açúcar ocorre em função da migração de alguns fornecedores independentes de cana para outras culturas com destaque para milho e soja (Veja gráfico).

Area de cana plantada

“Ao longo dos últimos anos, esse processo já vinha acontecendo e se intensificou em 2020, devido à rentabilidade superior dos grãos, em especial as culturas de milho e soja, comparativamente à cultura da cana-de-açúcar”, explica Torres.

A soja apresentou um aumento expressivo de 118,49%, saltando de 496 mil ha em 2000 há para 1,08 milhões de ha em 2019 no Estado de São Paulo. Em oposição, a área de cana-de–açúcar apresentou um incremento de 11,32%, saindo de 5,07 milhões de ha em 2010 para 5,54 milhões de ha em 2019”, explica Torres.

Leia mais: Em 2020/21 custo de produção da cana-de-açúcar própria subiu 6,8%

Já o envelhecimento dos canaviais ocorre por conta da redução do plantio ao longo de 2020, dadas as condições climáticas adversas. Isso implicará, mesmo que marginalmente, num aumento da idade média dos canaviais na região Centro-Sul.

Diante deste cenário, materializa-se a percepção de que a safra 2021/2022 será menor do que a safra 2020/21, tanto em termos de disponibilidade de cana-de-açúcar, quanto da qualidade da matéria-prima.

O Pecege espera que a quantidade produzida de cana-de-açúcar disponível para moagem na safra 2021/22 seja de aproximadamente 580 milhões de toneladas, uma redução de cerca de 4,13% ante a moagem estimada de 605 milhões de toneladas na safra 2020/2021.

“A redução esperada no volume de moagem implicará numa queda no nível de utilização da capacidade instalada (NUCI), limitando a diluição dos custos fixos e, por conseguinte, o potencial de geração de caixa das usinas sucroenergéticas na safra 2021/2022. Além da menor capacidade de diluição dos custos fixos, alguns itens tenderão a apresentar encarecimento, tal como fertilizantes, o que impulsionará um aumento de custo na próxima safra ”, afirma Torres.

Fertilizantes: preços de fosfatos deve subir

O cenário para os fertilizantes, em princípio, será favorável ao aumento de preços ao longo de 2021, especialmente dos fosfatos cuja oferta tem se restringido nos últimos anos.

O crescimento dos preços associa-se ao crescimento esperado das áreas plantadas das principais culturas no mundo, porém, fatores de oferta podem apresentar papel relevante na determinação de preços.

“Tendo em consideração a tendência de alta dos preços internacionais dos fertilizantes, em particular, do fosfato, isso contribui para o encarecimento desses insumos no mercado nacional, especialmente formulações com alto teor do referido macronutriente. Como o maior componente deste aumento advém do mercado externo, mesmo culturas voltadas à exportação podem sofrer aumentos de custos ao longo deste ano”, alerta o Pecege.

Cadastre-se em nossa newsletter