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A São Martinho deve maximizar sua produção de açúcar na próxima safra (2021/22), que começará em abril, e inclusive fez pequenos aportes para ampliar a capacidade de produção da commodity em 50 mil toneladas já para o próximo ciclo, disse Felipe Vicchiato, diretor financeiro da companhia, em teleconferência com analistas.

“Provavelmente a São Martinho vai iniciar a safra em abril com a produção virada para o açúcar em todas as usinas. Fizemos investimentos em unidades e vamos conseguir pôr 50 mil toneladas a mais de açúcar na próxima safra”, afirmou.

Na safra atual, 47% da cana processada na companhia foi destinada à produção de açúcar, o que já foi um mix fortemente açucareiro. A produção de açúcar alcançou 1,483 milhão de toneladas, um aumento de 34,1%.

O preço médio do açúcar desde o início da safra, em abril passado, até janeiro deste ano está 28% acima do valor correspondente do etanol, o que incentiva a empresa a dar prioridade ao alimento, disse.

Outra vantagem do açúcar é a possibilidade de realizar a fixação antecipada dos preços das próximas safras, acrescentou. As vendas de açúcar da safra atual, que termina em março, já estão praticamente todas fixadas dentro do que corresponde à cana própria, de 85% do total, a um preço médio de R$ 1.496 a tonelada.

Nos nove primeiros meses da safra atual, a margem da companhia com as vendas de açúcar cresceu 12,9 pontos percentuais, sustentada pela alta do preço médio do açúcar vendido, que subiu 15,4% no acumulado desta safra, para R$ 1.279 a tonelada.

Para a próxima safra, o grupo já fixou o açúcar correspondente a 61% da cana própria, a um preço médio de R$ 1.537, e também já adiantou a fixação de 100 mil toneladas de açucar para a temporada seguinte, a 2022/23, que só começa no ano que vem, a um preço de R$ 1.751 a tonelada. Segundo Vicchiato, a São Martinho espera encerrar este trimestre avançando na fixação do açúcar da safra seguinte para até 300 mil toneladas. Esse hedge só não avançou mais por causa das incertezas sobre a quebra da próxima safra, disse.

O diretor financeiro também ressaltou que a São Martinho tem uma logística favorável ao escoamento do açúcar para exportação, o que beneficia a opção pela commodity.

“Embarcamos nas janelas com mais demanda do produto pelas tradings e não tem tanta concorrência por frete, já que quando começa a escoar a soja, a concorrência é grande. Com menor custo de frete e maior rentabilidade nas vendas de açúcar, posso produzir bem mais açúcar do que etanol”, finalizou.

A companhia também espera uma melhora na eficiência operacional em todas as suas usinas na próxima safra, que entrarão no segundo ano com as operações coordenadas pelo Centro de Operações Agrícolas (COA), com uso de internet no campo.

Nesta safra, apenas a Usina São Martinho, de Pradópolis (SP), entrou no segundo ano de operações sob comando do COA, e já foi possível observar redução de gastos com diesel nas máquinas do campo e redução dos gastos com manutenção dessas máquinas, disse Vicchiato.

“Olhando o custo em reais por tonelada [de cana processada], engolimos toda a inflação do Consecana [preço de pagamento aos fornecedores]”, afirmou o diretor. Na produção de açúcar, o custo caixa unitário de toda a companhia nos três trimestres desta safra caiu 0,8%, para R$ 1.012 a tonelada, enquanto na produção de etanol, a queda foi de 0,5%, para R$ 1.508 por metro cúbico.

“No próximo ano, que será o segundo ano de COA das demais unidades, elas devem chegar próximo da Usina São Martinho em eficiência de diesel e de produtividade da colhedora. Devemos crescer menos que a inflação em custo de reais por tonelada.”

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