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O acordo entre Mercosul e União Europeia foi tema da live do projeto Conexão Brasília, da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Participaram do debate o secretário de Comercio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Orlando Ribeiro; o diretor executivo da Citrus BR, Ibiapaba Netto e o gerente de Mercados da Associacao Brasileira de Proteina Animal (ABPA), Luis Rua.

Os convidados trataram dos principais pontos e possíveis impactos que esse acordo entre os dois blocos econômicos podem trazer para o setor agropecuário brasileiro. O secretário do Mapa lembrou o esforço que o atual governo fez para que as negociações entre o Mercosul – União Europeia fossem concluídas.

“Até o final do ano o acordo será concluído, a revisão legal e técnica. Quando o texto for traduzido, no ano que vem, na presidência rotativa de Portugal, nós temos uma primeira oportunidade desse acordo ser assinado e, em seguida, ser submetido à Comissão Europeia e aos Parlamentos Nacionais de cada um dos países europeus e os países do Mercosul”.

O diretor executivo da Citrus BR, Ibiapaba Netto, também elogiou o empenho do governo no processo de negociação do acordo. Segundo ele, o setor privado já nem acreditava mais na conclusão do tratado.

“A finalização desse acordo foi um marco. A gente tem que dar todos os méritos para esse governo, tomaram a iniciativa de levar a frente essa negociação que tem muito a oferecer para o Brasil e os parceiros”.

Segundo Ibiapaba, o acordo vai beneficiar o setor de suco de laranja, em específico, pelo fato de a União Europeia ser responsável por 70% das exportações do alimento do Brasil. “É o nosso maior cliente líquido de suco de laranja. É bom para os consumidores que terão a oportunidade de ter um produto mais acessível”.

O gerente de Mercados da Associacao Brasileira de Proteina Animal também saiu em defesa do acordo. “De certa maneira, renova um pouco a nossa esperança de que o Brasil possa celebrar outros acordos comerciais com países relevantes. Hoje, o foco é a Ásia, uma esperança de que a gente possa caminhar também para outros acordos regionais”.

De acordo com Luís Rua, a União Europeia é o sexto maior importador da carne de aves brasileira. Em 2019, reforçou, cerca de 260 mil toneladas de frango foram vendidas para o bloco. “Trouxeram uma receita na casa dos 700 milhões de dólares. É um mercado muito importante para nós e que a gente vê com muito bons olhos na avicultura e na suinocultura”.

O que muda com o acordo

Orlando Ribeiro esclareceu que, com a efetivação do acordo, a UE eliminará suas tarifas para 87% dos produtos agrícolas para o Brasil. Para o governo, a vantagem com essas isenções tarifárias será fundamental para o setor agro, principalmente para alguns produtos brasileiros que são exportados em grande volume. Ele ainda citou que o acordo comercial também estabelece cotas para a exportação em alguns itens, caso da carne bovina, frango, açúcar, etanol, arroz, mel e milho.

“Tem uma série de aberturas em produtos tradicionais, por exemplo, frutas, melão, limão, lima, melancia, que são produtos que vão ter um acesso privilegiado ao mercado europeu”, pontuou.

Para Ibiapaba Netto, no caso do setor de suco de laranja, essas mudanças tarifárias serão benéficas, já que a renda extra por conta do corte na tarifa vai poder ser usada para investimento e tecnologia. Segundo ele, o corte de 50% na tarifa para exportação vai gerar renda extra de US$ 75 milhões. E, em 10 anos, essa tarifa será zerada. “É dinheiro que entra para empresas brasileiras, para o produtor brasileiro, a gente só tem a ganhar”, disse.

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