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Açúcar: excedente exportador e estoques da Índia deverão chegar aos preços

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As expectativas do fluxo comercial de açúcar até o momento e o que deverá vir nos próximos meses não parecem voltadas para o que está acontecendo e o que está por vir pelos lados da Índia. Além de produção superior à safra anterior, no atual ciclo as indústrias contam com no mínimo mais 1 milhão de toneladas de exportações.

A permissão para exportações, dentro da cota de subsídios, é de 6 milhões/t — sendo que 5,7 milhões/t já foram negociadas, diz Maurício Muruci, da Safras & Mercado -, portanto a oferta indiana no mercado mundial será maior. Isso dará 18% sobre a safra 20/21.

Se as cotações atingissem os 18 centavos de dólar por libra-peso, em Nova York, o analista afirma que as vendas externas extras, fora dos benefícios tributários, ficam mais garantidas.

E ainda, ao terminar a temporada 20/21, em setembro, haverá quase 9 milhões de superávit, isto é, estoque excedente, subtraindo as exportações e as 26 milhões/t de consumo interno (alta de 2,8% sobre o período anterior) da produção aguardada de 31 milhões/t (mais 12,7%).

Os dados são da Indian Sugar Mills Association (Isma), entidade que costuma deprimir as estatísticas para tentar favorecer os preços em Nova York. Daí, que há um grau maior de veracidade nas informações atuais, baseadas em estatísticas superavitárias.

A queda projetada para o Brasil é de 6% a 7%, para aproximadamente 36 milhões/t, em cálculos gerais também usados pela Safras & Mercado, e a redução na temporada tailandesa, não neutralizarão o excesso da Índia, segundo maior produtor e exportador.

Contando com consumo ainda a níveis de pré-pandemia, o USDA deu 11 milhões/t de superávit global.

O mercado ainda consegue manter a base dos 17 centavos de dólar por libra-peso, baseado nesses números para o Brasil, acredita Muruci, mas há várias sessões as perdas vão se acumulando em Nova York.

O analista da Safra ainda não crê em chuvas que revertam a situação, mas os comentaristas em geral apontam a melhora do clima no Centro-Sul. Além de um pouco mais de produção na segunda quinzena de maio (segundo a Única) — os rumos do mix para etanol ainda são indefinidos. Porém, seguem ignorando essa pressão de oferta indiana.

Aliás, oferta que deverá ser reproduzida no ciclo 21/22, a partir do próximo setembro, diante de chuvas de monções consideradas normais. Também se espera alta na Tailândia e em outras origens. Portanto, logo mais poderá entrar nos preços também.

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